sábado, 21 de novembro de 2009

Tereza, A banda


Em algum canto da Casa da Matriz:

- Oi, lembra de mim?
(cara de quem está forçando a memória)- Ahh claro.
- Legal. Você é de Brasília né?
- Quase, sou de Minas.
- Ahh é. Você pode conversar um pouco?
- (acho que já estamos, mas...) Aham.
- Então, é que eu tenho uma banda. E...
- (ai meu Deus, já vai estragar a conversa)
-... a gente fez uma música que eu queria te mostrar.
- O que sua banda toca?
- Pop Rock.
- Ahnn? ( ahh não,que merda, quem se aprenseta assim? melhor nem perguntar as influencias)
- É sério, a gente é bem pop. ( a gente quer é fazer sucesso - isso eu pensei que ele tava pensando e eu tinha um pouco de razão)
- Pop tipo o que?
- Tipo kings of Leon, Libertines.
- ( unnn e não é que ele tem uma boa visão do pop) Me conta mais da sua banda (e de vc ;)
- Então, a gente vai tocar na semana que vem, você quer ir?
- Aham, me convida que eu vou.

Uma semana depois, sexta a noite:

- Mensagens de texto-

- Oi e que hoje tem show da minha banda se vc quiser ir me manda uma msg.
- Oi, tudo bem? Onde é o show?
- Itaipu niterói
- Isso é perto de Buzios?

Telefone ( 5 ligações iguais pra 5 amigas diferentes):

- Amiga, vai fazer o que hoje?
- Não sei.
- Oba, vamos pra niterói? num show.
- O que?
- Tá maluca? Quem é esse Thais?
- Te conto no caminho.
- Me espera tomar banho?
- Ok.

Sexta noite, depois de 2h30 na ponte, arrependimento mortal, a gente chega no bar e eles já estão no palco.
- Unn, e não que é bom.
- Nossa, que bacana.
- Vamos chegar mais perto?
- Tá louca? tenho vergonha.
- Que isso, a gente não conhece ninguem aqui.
- Ok, vou só pegar uma cerveja.
....

Depois dessa cerveja muita coisa aconteceu, foi paixão a primeira vista. Pela Banda. A Tereza (com Z e sem H).

http://www.youtube.com/watch?v=g9XREh_GT5s

http://www.youtube.com/watch?v=F-TlEO2WK80

http://www.youtube.com/watch?v=lNuQwhoCbMI

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Desabafo

Sobre sentimentos. Estou frustrada. Comigo. Como em todas as áreas da minha vida, sempre tento “sentir” sem moldes, sem formas pré-estabelecidas. Isso costuma funcionar bem com quase tudo, exceto sentimentos. A maldita expectativa é uma desgraça, o papel dela na vida é causar decepção. Mais nada. Pra que esperar algo? De si e do outro? E do mundo? Esses 3 sempre me magoam, por minha culpa, porque teimo a esperar algo. E aí Puf. Quando não é daquele jeito, vem aquela água quente e sai pelos olhos. E o nó na garganta? Esse é o pior. E o pior é que não dá pra fugir dessas coisas todas. Você pode odiar novela, carnaval ou futebol (exemplos simples e populares, nada contra eles). Mas você não consegue deixar de sentir saudade, amor ou ódio. De onde vêm essas coisas? Em que órgão cada uma delas é processada? Tenho impressão de que os orientais (excetos esses coreanos marrentos que vivem por aqui), os tibetanos, por exemplo, parecem entender dessas coisas. Eles têm pinta de que estão além de todas as alterações internas. Digo isso pela cara deles. Pela capacidade de meditar horas seguidas. Acho que tenho grande propensão a viver longe da sociedade no futuro, as pessoas me matam. Cada uma a sua maneira. Ódio ou amor. Os dois matam. E eu não quero me deixar morrer. E eu já pensei o contrário, mas hoje eu prefiro sentir nem um nem outro. Claro que é uma escolha momentânea.

Avisei que era desabafo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Tiê- Sweet Jardim


Sabe a sensação de acordar de manhã bem cedo, num dia fresco que o sol promete sair , os passarinhos cantam e o cheiro é de um dia novo?
Sabe quando você lembra com carinho de momentos difíceis que se passaram. De lágrimas e desprazeres. E você se vê superando aquilo, ou ao menos aprendendo a rir daquilo?
Sabe quando você pensa em pessoas que você ama e que deixam sua vida colorida?
Sabe quando você pensa nessas mesmas pessoas e as encaixa nos momentos ali de cima?
Então essa cena pede uma trilha sonora e ontem eu ouvi de pertinho quem poderia cantar nesses meus momentos.
Depois de um dia comum de trabalho recebo o convite de uma querida amiga pra ir ao show da Tiê. Confesso que nunca tinha ouvido falar da pessoa. Ando meio desligada do que acontece por aí. Feio. A amiga disse, você vai gostar, é doce e as letras são lindas. E eu só precisava de alguma coisa com açúcar. Aceitei o convite. O apresentação custava 2 reais e era a 100 metros do meu trabalho. Ótimo pra um dia de chuva.
Depois de um lanchinho, chegamos ao local onde um público muito misto aguardava pela abertura do teatro. Velhos bem velhos, adolescentes modelo alternativo clichê, jovens meio roots e jovens intelectuais profundamente conhecedores da cultura nacional contemporânea. E eu (eu sou um pouco de cada um deles, tirando o último).
Tiê cantou todas as suas 10 músicas doces. E mais 2 covers cheio de lembranças - Se namora do balão mágico e Cryin do Aerosmith. Parecia que ela queria falar comigo, sabe? (Essa música vou cantar pra você que tá sentada aí na segunda fileira, é uma cação que fazia você chorar quando era criança que você colocava o LP pra ouvir enquanto pensava no dia em que sentiria aquilo tudo por alguém. E depois eu toco aquela que você tinha numa das inúmeras fitas VHS que sua amiga da cidade grande gravava da MTV ,quando ainda não tinha TV fechada em Jacutinga, e você ouvia e cantava querendo ser uma adolescente descolada).!!!
Me envolvi na simplicidade de suas letra e montei todas as histórias na minha cabeça. Busquei os personagens do meu arquivo pessoal e fiquei curtindo meus 12 curtas de 3 minutos. Tenho um elenco bastante fixo que se repetia em vários curtas.
Mas voltando a Tiê, ela é muito simpática. Dessas que da vontade de ser amiga e de tocar violão junto (eu sempre quero ser amiga das pessoas que eu admiro). Ela é divertida contando as histórias de suas músicas. E está grávida, o que deixa sua voz mais doce (se é que é possível).
A afinação de suas cordas vocais é de dar inveja.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Cassino Hotel



Demorei mais achei o livro do André Takeda. O Google me disse que sua escrita tinha um “quê” de Nick Hornby. Publicidade eficientíssima pra uma fanática.
Começo a ler na semana que antecede a viagem a minha cidade natal. Há 6 meses não visito a família. Uma sensação estranha de ansiedade e angústia me persegue quase que inconscientemente. Medo das pessoas estarem muito mudadas, envelhecidas. Medo de decepção. Medo de sentir falta deles quando voltar. Medo de todas as fraquezas. Aí entra “Cassino Hotel”, começo a leitura deixando a surpresa no ar. Não sabia sobre o que se tratava. O texto não chega aos pés no Nick. Mas eu insisto. E logo começo a me encontrar em todos os personagens.
> João Pedro é um cara de 30 anos que nasceu no Rio Grande do Sul e foi tentar a vida em São Paulo como guitarrista. São Paulo lhe traz experiências que me são familiares, solidão, vida trash e fugas. Uma decepção amorosa leva João Pedro de volta ao Rio Grande do Sul onde ele tem muitas pendências amorosas, emocionais com amigos e com a família.
> Melissa é a namorada super pop star de João Paulo (ela tem 18 anos, bom lembrar)
> Mateus é o melhor amigo deixado pra traz na escolha de ficar em São Paulo
> Letícia é a ex namorada também deixada pra traz e que agora esta com o Mateus, grávida.
> O pai de João Pedro adotou Letícia e Mateus na sua ausência e agora eles são como sua família.

Estou na metade do livro, não sei tudo sobre eles e nada sobre outros ainda.

As lembranças de João Pedro de sua vida no interior. Suas experiências. O cheiro e a cor das coisas. Só penso em Jacutinga. Em como é diferente a vida no interior. Adaptar-me na cidade grande foi muito difícil pra mim. Eu sempre fiz analogias de tudo e todos. Sempre tentei encontrar em São Paulo e no Rio um pouco das coisas que eu tinha em Jacutinga. Infelizmente encontrei pouco em São Paulo, talvez pela proximidade com Jacutinga. Sentia falta de algo e logo fugia pra lá. No Rio essa fuga dá muito mais trabalho, então construí uma vida aqui com peças que substituem bem o que eu tinha lá. Algumas coisas sempre vão faltar. Mas outras eu nunca teria lá e nem encontraria peças pra substituí-las.

Tô feliz por cruzar com o “Cassino Hotel” bem agora. Embora.... o ritmo do livro chega a ser tão óbvio que me lembra " O código da Vinci" ^^

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eu quero meu dia de volta




1,2,3 não brinco mais!


Cansei de ir no banco, pagar contas e ficar preocupada com meu saldo bancário. Cansei de ligar para serviços de atendimento telefônico, reclamar e receber propostas de telemarketing. Cansei de pensar o que vou fazer pra comer, se tem algo estragando na geladeira ou muita roupa suja pra lavar. Cansei de pensar se é dia de trocar a roupa de cama, a toalha, e se hoje o caminhão de lixo passa. Não quero mais saber que dia é hoje da semana, quero de volta minhas férias de julho e meu dia 12. Quero que minha mãe me acorde e não o celular. Ah e também não quero mais o celular. Quero que me digam que não vou levantar da mesa se não comer tudo e que nem terei sobremesa. Quero voltar a acreditar que seguro de vida é uma coisa que você faz pra não morrer mais. E quero não mais saber que existem outros seguros, previdências, investimentos, juros, créditos, senhas, cartões e protocolos. Quero ter horário pra voltar pra casa antes que seja muito tarde e não pra chegar no ponto de ônibus antes que o ônibus que me deixa mais perto do trabalho passe. Quero usar carimbos e stencil e nunca mais imprimir uma folha. Quero esquecer os nomes: arquivos, documentos, Word, Excel e salário. Quero ficar ansiosa pelo meu próximo aniversário, escrever carta pro papai Noel e que escolham a roupa que eu vou vestir. Quero ver meu sapato preferido ficar pequeno. Quero fazer tarefa e sentir o cheiro frutado da lancheira na hora do recreio. Alias, quero trocar a hora do almoço pela hora do recreio. Quero sentir cheiro de presente novo no natal e dormir assistindo um filme da Xuxu, e mais importante, acordar sem ressaca.

Quero ter febre, ficar banguela e pegar piolho.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O quintal

Para minha avó.
Eu era mais nova, ela era tudo que eu queria ser. Legal, carismática, talentosa e fazia sucesso com os meninos. Eu não era nada disso. Nada. Só tinha o quintal da casa da minha avó pra oferecer em troca da sua amizade. O quintal era grande. Isso era.
Minha avó dizia pra eu ficar tranquila, porque eu tinha o maior quintal e eu era a mais bonita. Mas eu não queria brincar sozinha naquele quintal enorme e eu sabia que ela mentia sobre minha beleza. Talvez ela até acreditasse nisso.
Um dia apareceu na cidade uma família de fora. De São Paulo. Mudaram-se pra lá. Eles eram muito finos . E eram amigos da minha avó. Nascia a minha chance de conquistar algo com isso.
A filha dessa família era pouco mais velha que eu. E muito bonita. Ia fazer sucesso com os meninos. Sem dúvida. Eu precisava agir logo.
- Vó, me leva pra almoçar com eles? E fomos. Eu gastei toda minha carisma, e claro, levei meus melhores brinquedos. Mas ela já tinha tudo. No final da tarde eu era a melhor amiga dela da cidade.
Quando foi pra escola pela primeira vez eu era sua única amiga. E aquele dia foi o meu reinado. Eu era amiga da menina de fora. Da menina mais nova na cidade. Só eu a conhecia, e ela veio falar comigo no recreio, sem eu ter que ficar rodeando pra chamar atenção, como eu costumava fazer com todos.
Nesse dia, aquela amiga que eu tanto idolatrava, passou a me dar valor. Ela me chamou, pediu informações sobre a menina nova e disse que podíamos entrar no seu time de queimada, se quiséssemos muito. Eu disse que tava com o pé dolorido. Charme. E a menina nova ficou sentada do meu lado. Não jogou também. Ela era o meu tesouro. Minha força. E eu começava a pensar que isso não poderia acabar nunca. E eu não tinha um plano.
Uma semana depois eu já achava o meu tesouro um pé no saco. Ela era menininha demais. Queria pentear meu cabelo e me passar batom. Eu não tava afim. Mas isso não era problema. Porque a minha meta havia sido alcançada. Minha amiga antiga, a talentosa, passava todo dia na minha casa para caminharmos juntas até o colégio. Eu me sentia o máximo. Parecia que eu tinha até crescido uns centímetros.
A menina logo se tornou comum na cidade. Ela era muito chata na verdade. Mas mesmo assim todos os meninos “gostavam” dela. Nunca entendi os meninos.
Porque a minha amiga só me deu valor depois que outra deu? E porque isso acontece com tudo e com todos? Nesse caso eu não gostei da amiga nova.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Profissão: Cortador-de-grama e Fazedor-de-grilo-planta

No caminho pro trabalho eu olhava pela janela do ônibus. O foco não era nada específico. Até que, uma formação triangular de símbolos da sociedade capitalista atual se alinhou no meu campo de vista durante um sinal fechado.
Foi assim.

No canteiro do aterro do Flamengo um jovem trabalhador dirigia um carrinho-corta-grama fazendo trajetos divertidos, formava desenhos no canteiro enquanto a grama ia ficando aparada. Bem ao lado, um semi-mendigo sentado num papelão, apreciava o movimento do corta-gramas sem piscar os olhos. Deixando em segundo plano seu trabalho de confecção de pequenos animais e miniaturas a partir de folhas de coqueiro. Fechando o triângulo, um pouco a frente do meu ônibus, tinha um outro ônibus estampado com a propaganda de uma instituição de cursos de MBAs. Na foto da propaganda tinha um jovem empreendedor recém-formado (e recém clareado os dentes) erguendo seu diploma de MBA todo orgulhoso. Na hora bateu um daqueles tocs: Eu tinha o tempo do sinal pra escolher qual daquelas 3 figuras eu escolho ser pro resto da minha vida. Fiquei nervosa, só consegui descartar rápido a opção do MBA. Mas os outros dois...Putz. Foi difícil. O sinal abriu e não consegui escolher. Depois segui pensando. Minha escolha seria um mix do trabalhador corta-grama com o semi-mendigo fazedor de grilos-plantas.

Eu passaria o dia dirigindo meu carrinho pelos canteiros de Burle Marx, sentindo aquele cheiro gostoso da grama cortada. No final do dia eu iria recolher algumas gramas boas pra usar nos meus mini-objetos e pequenas flores e cogumelos. Tô meio por fora do que nasce em jardins, mas o cheiro da grama é inesquecível.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Noah and the whale



Nada como descobrir novos prazeres. Ganhei o cd do “Noah and the Whale” de presente, naturalmente já iria gostar dele por ter vindo de uma pessoa especial, mas não imagina que seria uma surpresa tão boa. Ouvi uma vez e senti uma coisa que chamo de tensão da traquéia (que é uma mistura de frio na barriga com nó na garganta), é um sintoma de novidade boa que ainda não foi desvendada completamente, e tem muito ainda por vir.
Logo na primeira vez de audição, enrosquei na música “Jocasta” e fiquei lá por algumas horas, depois segui em frente e chorei com “Do what you do” e naquela hora decidi que é aquele instrumental que vai tocar no meu casamento (ando falando muito em casamento, que horror, mas é por uma razão específica, vou a um na semana que vem e os noivos são desse tipo de gente que parece alma-gêmea e isso me emociona um bocado). Ai caramba, tem um violino que dói.
O cd todo é lindo, tem surpresinhas em todas as faixas e as letras são legais, normalmente nem ligo pra isso (minha última paixão Tricot Machine, eu ouço sem ter a mínima idéia do que eles falam, e cantarolo pela rua como se fossem belas canções de amor). Eu tenho o costume de ouvir os cds tentando não saber qual o hit da banda, pra ter formar uma opinião sem influencia dessa informação. Se eu fosse chutar, diria que o hit é “5 years time”. Será? Vou pesquisar em breve. De qualquer forma meu hit já é “Jocasta”. “Second Lover” parece muito com outras coisas, coisas boas também, então tudo bem. Rocks and Daggers é do jeitinho que eu gosto, meio irlandesa meio bandinha de coreto.

Sorte a minha que não vivo disso. Uma “resenha” dessas não me renderia o dinheiro pra comprar um cdr e ficar 1hora na lanhouse baixando o próximo cd. Meu negócio é falar qual órgão do meu corpo foi tocado pela música, em que momento da minha vida ela se encaixa e quem sabe no futuro posso propor uns novos arranjos, ando meio enjoada de remixes.

Ahh ! E “Noah and the Whale” vem de Noah Baumback, director de “The Squid and the Whale”. Legal isso hein! Se minha banda nascesse essa semana iria chamar .... Michel and his spotless mind.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O casamento dos meus sonhos



Todos esperavam um dia ensolarado, a programação dependia das atividades de lazer que só faziam sentido se fizesse muito sol. Nada muito cansativo era apropriado, a noite prometia ser longa.
Levantei da cama, porque acordada eu já estava desde que desliguei o telefone por volta de meia noite. Chovia horrores naquela fazenda. Relâmpagos normalmente me apavoram, mas eu sentia tanta raiva, tanta vontade de vomitar por todo ódio dele e de mim, por deixar doer, que nenhum trovão ou relâmpagos me causava pânico. Era uma viagem descontraída e ele não tinha nada de importante para fazer nesse final de semana. Não custava nada ele me acompanhar, afinal era uma festa de casamento e não um funeral. Tudo 0800 e nem a gasolina precisava dividir comigo. O que me dá mais raiva é ele ter certeza que estava coberto de razão. Argh! Só posso concluir que minha companhia não faz diferença. Mas já havia chorado tudo que tinha pra chorar e gastado uma nota de celular. Eu que liguei e ainda pago a porra do deslocamento. Minha idéia era dar uma corrida pela redondeza, explorar novos territórios, e quem sabe participar de alguma competição esportiva. Sempre tem dessas coisas em hotéis fazenda. Mas chovia desgraçadamente.
Minha amiga mais querida da época da faculdade ia casar em menos de 12 horas, eu deveria estar feliz por ela, mas não era exatamente o que sentia, só pensava que se ela não fosse casar hoje, eu iria agora mesmo acordá-la para contar a canalhice que o meu EX-namorado havia feito comigo (eu estava decidida a terminar, embora ele ainda não soubesse disso). Ahhh, mas era o dia da noiva, por mais egoísta que eu seja não posso envolvê-la nessa história, não hoje.
Penso, penso, e nenhuma das outras meninas da faculdade servem pra ocasião. A maioria delas é muito religiosa pra ouvir alguns palavrões que seriam inevitáveis. Outras são ridiculamente compreensivas com homens cretinos. O idiota não precisava de aliadas.
Era quase onze horas da manhã, em breve, chegaria um pessoal que eu gostava um pouquinho mais. Não sei ao certo quem coube no carro e quem ficou de fora, só torço pra que um, apenas um, tenha vindo. Me identifiquei com poucas pessoas durante a faculdade, mas um deles era especial. A última vez que havia o visto foi na formatura de uma turma anterior a nossa, depois disso abandonei o curso e só tive algumas notícias. Soube que ele casou, mas ou menos na mesma época que eu, e soube que separou, mais ou menos na mesma época que eu.
Parei na varanda do chalé onde eu estava hospedada, eram vários chalés idênticos, e do meu dava pra ver o espaço onde aconteceria a festa. Havia uma tenda onde trabalhavam muitas pessoas enfeitando rusticamente o cenário. No canto da tenda a banda montava seus instrumentos, eu fiquei ali sentada no parapeito da janela. A cena pedia um cigarro. Eu não fumava há 5 anos. Mas ela pedia tanto que não resisti. Peguei um Lucky Strike na mesa de cabeceira da minha “colega de chalé”. Eu mal a conhecia. Acendi e me esforcei pra dar o primeiro trago, o importante era sentir ele aceso entre os dedos, e me poluir o mínimo possível.
A banda começou a tornar-se interessante, um dos meninos havia estudado com a gente.Na época ele tocava hardcore, eu achava o máximo. Mas nesse dia ele parecia muito mais interessante. Ele aparentava ser o líder da banda. E enquanto os outros afinavam os instrumentos ele fazia a decoração do cenário. Ele usava uma roupa estilo peter pan e amarrava penduricalhos feitos com flores de plásticos e pequenos bibelôs numa corda que vinha do teto da tenda e assim parecia que chovia flores e brinquedos sob eles. E enquanto os músicos passavam a primeira música ele continuou pendurando os enfeites, mas agora fazia tudo no ritmo da música. Ahhh! E a música! Era demais! Tudo o que eu menos esperava ouvir ali. Minha amiga sempre teve bom gosto musical. Mas eu não esperava algo tão bom. Dois caras que até então estavam sentados, colocaram chapéu de fanfarra, fardas de veludo verde e detalhes dourados, e começaram a tocar um instrumento de sopro que eu acho que é trompete (não entendo bem disso). E todos pareciam estar de pijama por baixo das fantasias. O som era incrivelmente suave e lúdico. Ninguém cantava, eles só sorriam muito.
Meu cigarro acabou e peguei outro. Não queria ficar ali com cara de quem não tinha nada melhor pra fazer, mas eu definitivamente não tinha e não iria sair dali. Nenhum lugar do mundo poderia me agradar tanto naquele momento. Eu comecei a sentir raiva de todas as pessoas que eu gosto e que não estavam ali comigo, sempre sinto isso. Quando quero dividir algo com alguém e esse alguém não está, sinto ódio (especialmente quando ele não quis estar e nem preciso falar de quem eu mais sentia ódio).
Esse dia foi o mais heterogêneo da minha vida até hoje. Não dormi a noite toda, senti ódio mortal de uma pessoa que eu amava, e depois foi transportada pra um outro mundo. E a festa nem havia começado. Eu gostaria de contar tudo até o fim hoje, mas não teria tempo suficiente e deixaria detalhes de lado. Foi um dia de experiências deliciosas e intensas, tudo me tocava, ora com dor, ora com alegria ora com prazer. Sempre lembro desse dia antes de dormir, mas nunca consegui revivê-lo. Por isso quis escrever, pra lembrar e sentir um pouquinho dele.

domingo, 30 de agosto de 2009

Burgueses e Bohemios

Com esse nome no blog, quem vos escreve, deveria honrar o título. Hoje caiu a ficha de como estou me distanciando cada vez mais da burguesia e da bohemia. Não que minha meta fosse ser os dois. Mas já não sei onde eu estava com a cabeça quando pensei nesse nome pro blog, acho que eu queria parecer cool, só pode. Hoje em dia durmo no máximo as 20:30 durante a semana e 23:00 aos sábados. Burguesa? Nunca estive mais pobre e mais consciente em relação ao consumismo (consequência da pobreza? talvez). Será esse meu novo estilo neo-cool? Ou é a proximidade dos 30 anos?
Essa dúvida me fez lembrar uns pensamentos que eu tinha por volta dos 16 anos. Minha meta era ser trash, parecer muito rock n roll. Mas eu não tinha muita referência lá em Jacutinga, mal conhecia os ícones do rock, então eu me baseava em figuras como a Courtney Love e ficava pensando como era a vida dela no dia-a-dia. O que ele comia, quanto ela dormia, que horas ela acordava,se ela tomava sol, eu queria realmente ter uma vida de rock star doidona. E por aí eu ia inaugurando hábitos na minha rotina. Hábitos que não eram muito compatíveis com a minha personalidade, por exemplo, eu tinha que fumar. Mas eu sempre fui mega hipocondríaca, durante os 4 anos que fumei, só pensava no estado do meu pulmão, tomava cápsulas de alho de manhã e a noite, e ficava lendo artigos que comprovavam que 5 anos sem fumar o pulmão fica zero km. Bom, eu tinha tempo pra recuperar...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sonhos



Desde que eu aprendi a descobrir quando estou sonhando, venho tentando desenvolver outras duas capacidades, três na verdade. Uma delas é me deixar morrer já que é apenas um sonho, outra é acordar e voltar a dormir continuando um sonho de onde parei, essa já sou expert e nesses casos consigo conduzir os sonhos conforme meu interesse. Há quem pense que é lorota, que na verdade eu estou sonhando acordada, enfim, é tão bom quanto. O terceiro desafio, e maior de todos é conseguir mandar recados em sonhos. Por exemplo, eu te encontro num sonho te conto um segredo e você tem conhecimento disso na realidade. Demais hein! Tão legal que não é uma idéia minha, obvio faz parte do consciente coletivo. E no filme The Science of Sleep do Michel Gondry isso é deliciosamente vivido pelos personagens de Gael García Bernal e Charlotte Gainsbourg (Stéphane e Stéphanie), ou só acontece na cabeça do sonhador Stéphane. Uma delícia o filme, só fiquei um pouco assustada com a quantidade de coisas em comum entre mim e o personagem de Gael. Desde as brincadeiras com os sonhos e a “invenção” da Desastrologia até o porre que ele leva no bar quando vê sua amada dançando com outro. E claro, nossa estatura, embora eu seja um pouco mais alta que ele.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

E se eu tiver vontade de chorar amanhã?

Um dos meus 138 medos de crianças era ficar velha e não poder mais brincar. Eu acreditava que eu ia ter vontade de jogar queimada (o), futebol, salto em distancia etc, pro resto da vida!! Ficava arrasada quando me imaginava velhinha tomando sol da manhã e assistindo as crianças brincar morrendo de vontade de brincar também. Cresci um pouco mais, perdi (um pouco) a vontade de brincar e comecei a ter medo de ficar velha e não conseguir ir aos shows que eu gosto hoje, virar a noite acordada e coisas do tipo.
Vivo sempre sofrendo pelo que vou sofrer, acho que só agora percebi que os interesses mudam, e isso é natural, não tem sofrimento nessa mudança !!! É um pouco retardado descobrir isso hoje? Deve ser, mas ta valendo a pena. Aprendi que muitos dos sofrimentos que adiantei, nunca vieram, se perderam com o tempo, com as mudanças de interesse, e eu, muito idiota sofri antes por algo que eu nunca iria sentir.
Então não vou chorar hoje o que eu posso chorar amanhã. Só choro hoje se eu torcer o pé e não puder jogar futebol, se acabar os ingressos pro show da minha banda preferida ou se um perder alguém que eu amo (enquanto eu ainda o ame).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Planilhas, planilhas e planilhas



Uma das minhas milhares de manias é fazer planilhas. De gastos, de atividades, de itens a comprar, de filmes pra ver. Enfim, adoro vizualizar minha vida em quadrinhos.
Um dia, em meio a certo desequilibrio emocional, criei o protótipo da Planilha da Purificação, que também pode ser chamada e Planilha do equilibrio, ou como você preferir.

Ela tem toda uma metodologia:

Como computar os pontos:
Esporte, leitura, filme, lazer = ganha-se 1 ponto quando realizar 1 ou mais atividade de cada
Cuidado= ganha-se 1 ponto para cuidados pessoais ou consertos de pertences, médico, etc.
Conquista= ganha-se 1 com qualquer conquista obtida a partir de algum esforço
Alcool= beber socialmente= -1, enfiar o pé na jaca=-2
Trash food= pode ser -1 ou -2, é uma questão avaliação pessoal
Zumbi= dormir menos de 3 horas= -2/ dormir menos de 6 horas = -1
Cigarro= não fumar não ganha ponto, apenas fumar que perde -1 (qq cigarro)
Alimentação= só ganha 1 ponto quando for perfeita, equilibrada e nada de alimento "poluente"

Já tem vários seguidores maníacos como eu, ou que sofreram certa pressão. rs

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sobre as rosquinhas e o amor.


Era uma vez uma menina que adorava quando sua avó fazia bolos e rosquinhas e a chamava para lanchar nas tardes de domingo.
Quando ela era bem pequena, ela pedia pra avó fazer rosca de baunilha e bolo de chocolate. Depois de alguns anos, ela se satisfazia com qualquer sabor de rosquinhas e de bolo que a avó fazia, mesmo que ela não gostasse muito. Algum tempo depois ela esperava apenas pelo telefone da avó para chamá-la pro lanche, mesmo que ela tivesse que passar na padaria pra comprar as rosquinhas.
Ela cresceu mais e passou a fazer o lanche aos domingos na sua casa e chamar a avó pra ir até lá. Passaram-se mais alguns anos e a avó não conseguia andar muito bem e nem tinha tanto apetite, então a menina ia até a casa da avó para ver TV com ela. A menina já estava grande, morava longe e ficava feliz quando ligava pra casa da avó e ela atendia o telefone. Elas jogavam papo fora por alguns minutos.
Hoje ela só espera que alguém atenda quando ela liga pra saber da avó e fica feliz quando recebe algum e-mail da família dizendo que ela está viva.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Portugal. The Man pt.II

Pra quem quiser conhecer o trabalho do meu "marido" (por favor leiam o post anterior pra não achar que eu estou louca).

http://portugaltheman.net/
http://www.myspace.com/portugaltheman

Portugal. The Man




Rio de Janeiro, 23 de julho de 2009.
(deu vontade de fazer o cabeçalho)

Pra variar quero falar de uma banda.mas não é bem só isso. Quero citar umas bobeiras também. Então a banda fica pro final.

Hoje eu não queria acordar, programei 4 vezes o soneca do celular e como castigo peguei um trânsito *f pro trabalho. Aí tive tempo pra caramba pra pensar bobeiras.Por sorte meu pensamento fluiu para um lado divertido. Auto-divertido na verdade. Começou com um cara que estava sentado ao meu lado e tinha muito tique nervoso. Ele piscava muitO forte e abaixava o pescoço quando piscava. Eu me desafiei a imitá-lo. Alí mesmo. Dentro do ônibus. E quando eu me desafio é pra valer. Eu penso, se eu não fizer isso agora eu vou morrer hoje! A viagem de ônibus seguiu tranquila. Consegui piscar fortE e rapidinho sem que o cara do tique notasse, acho que só uma senhora desconfiou do meu plano maligno (aparentemente, porque na verdade trata-se só de um outro tique nervoso). Faço isso desde que me conheço por gente. O "tique" que repetiu por mais tempo foi o de "ter que beijar o fundo da piscina do clube de campo leão da fronteira de Jacutinga" toda vez que eu entrasse na piscina!!! Já cheguei a ir embora pra casa, tomar banho e ter que voltar pro clube só pra cumprir minha "promessa". Sorte que eu tinha mobilete na época. ;)
Esse tique acontece o tempo todo, as vezes preciso atravessar a rua passando por um lugar X, outras vezes só posso pisar nas pedras pretas da calçada (Ahhh esse você já teve, né?)
Bem, um dos outros vários desafios que também é um passatempo bacana, é o famoso: "O que você prefere?" (na versão tique nervoso é "O que eu prefiro?"). Aí eu tenho que escolher entre duas coisas bizarras tipo tomar minha própria urina ou um copo de adoçante? Esse é bem amplo e ousado, tem umas escolhas que até me fazem chorar, como: "Quem eu deixaria cair num precipício?" sempre usando duas pessoas significativas, claro.
Vamos tentar voltar pra banda fofinha de hoje. Uma outra brincadeira menos macabra mas tão bizarra quanto as outras é: " Com quem eu prefiro casar?". E existe várias versões, a real é quando eu tenho que escolher entre os dois próximos homens conhecidos que eu ver na minha frente. A impressa: quando estou folheando uma revista e posso optar por qualquer um das próximas 10 páginas (nessa versão eu sempre me caso com celebridades) e a virtual que é quando tenho que optar por um entre os x caras que eu ver a foto na net. Enfim chegamos na banda!!!
Hoje eu escolhi casar com John Baldwin Gourley que é o vocalista do Portugal. The Man, conheci ele (e a banda) hoje e já estamos casados ( rs). Tive que dar uma checada no trabalho dele. A banda é meio folk, meio oasis, meio indie, ainda não digeri muito. Mas enfim, tenho tempo né.
Olha o bigodinho dele!!!

terça-feira, 14 de julho de 2009

De repente...

...eu não acho tão ruim ser terça feira, mesmo sendo o dia que eu mais odeio da semana. De repente eu acho bom que falta muito para o fim do dia, mesmo que tenha muito trabalho pela frente. De repente não me assusta a idéia de ter insônia essa noite, uma noite em claro pode parecer infinita.
E além de tudo isso (que não é nada tão bom) me deixar alegre hoje. Eu gostaria que fosse ainda pior. Segunda - feira, ontem, 7h da manhã, seguida de inúmeras noites mal dormidas.
Estaria perfeito pra mim.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Expo Michel Gondry



Quando vi "Be Kind Rewind" pela primeira vez, dormi logo no início, estava gostando, mas o momento não era dos mais favoráveis. Me senti um bocado mal com o ocorrido afinal não sou do tipo de pessoa que dorme em filmes, adoro o Gondry, amo "Brilho Eterno...", sou fã do Jack Black e meu sonho é trabalhar numa locadora (!). Então, depois de um mês repeti a tentativa. Com muito sucesso, assisti até o fim e chorei, no duro, achei muito sensível e romântico como a vida simples deve ser.
Ontem, tive o prazer de ver a exposição do filme, "Rebobine Por Favor" no CCBB. Me encantei. Tão legal ver uma fita Sweded, assim, de pertinho. Mais legal que isso, só atuando num filme Sweded... Aha! Mas é possível!
A exposição vai até dia 9 de agosto e tem workshops onde em grupos você pode produzir trechos de filmes usando os cenários fofíssimos da exposição. É o tipo de coisa que vale a pena chamar uns amigos daquele tipo de gente que topa tudo, até ficar na fila pra pegar senha ou algo do tipo.
E nessa primeira semana (de 9 a 14 de junho), terá mostra de filmes do Michel Gondry. Irresistível hein! Eu saí da sessão do "Tokyo" achando que na verdade não seria tão ruim ser uma cadeira ao algo que o valha.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pessoas como você e eu

Porque as pessoas são tão especiais? Pela diferença talvez. E nunca se repetem, nunca estão ocupam o mesmo lugar. São tantos detalhes e filosofias. Mas serei bem simples aqui.
Eu amo as pessoas, muitas delas nem me conhecem e são super importante na minha vida. Me fazem pensar diferente, mudar de idéia, chorar e rir sem nem ter conhecimento disso.
Gosto de lembrar das pessoas, dos momentos que estive com elas, da saudade que deixaram. E são tantas!
Tentei esses dias fazer uma lista de todas as pessoas que conheçi na vida. TODAS. Ok, foi a idéia mais alucinante que já tive, um dia ainda vou terminar. E não é só isso, vou também citar na lista alguma coisa sobre ela, qualquer detalhes ou ao menos um dia que a vi. E não preciso conhece-la bem (detalhe importante) vi uma vez, troquei uma frase, já está na lista (ou ao menos tem que estar). Vou um dia terminar essa idéia, claro que ela não acaba, porque as pessoas continuam aparecendo.
E logo na sequencia dessa idéia maluca, tive uma outra, um pouco menos complexa e um tanto mais dramática.
Quando eu acabar a lista, vou escolher 100 pessoas, as mais significantes e vou escrever uma carta pra ela. Não necessáriasmente virei a entregar a carta, mas estará lá. Tenho muitas coisas a dizer às pessoas e muitas vezes não cabem na conversa, coisas estranhas, coisas bobas, coisas duras ou coisas fofas, e sempre tenho medo de não ter mais chance de dizer...
Um dia elas se vão. E eu também. As vezes quero ir depois delas, mas muitas vezes rezo para ir antes. Não suportaria viver sem algumas, e certas, não me são muito necessárias. Mas sempre são necessárias à alguém.
Meu maior pesadelo de infancia ( junto com o medo do Silvio Santos morrer)era pensar que todas a minha família, que naquele momento era mais velha do que eu, um dia não estaria mais ali, e eu seria a mais velha. Isso me dava pânico, eu queria todos eles comigo pra sempre, não parecia justo, eles eram meu mundo (e ainda são)e um dia eu seria a mais velha, sem eles por perto, só com pessoas novas e desconhecidas.
Ufa. Felizmente hoje vejo um pouquinho mais além, e sei que esses pessoas novas tambpem serão amadas, que o amor nem sempre é proporcional a ordem de chegada. Alias, o amor é proporcional a alguma coisa?? Se alguém souber, por favor me diga.
Comecei a pensar nas pessoas no meio a uns devaneios Nietzscheanos, aí me perdi e nem lembro o que Nietzsche tinha a ver com a história.
Bem, se você tá lendo isso, certamente terá uma cartinha minha pra você (não acredito que eu tenha leitores que eu não conheço, e se tenho, gostaria de conhecê-los). E quando eu te entregar a carta, você vai saber como foi importante na minha vida.
E por favor, não se vá antes que eu te entregue.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Mercado Mistureba


Passaram-se 6 meses do último Mistureba no Teatro Odisséia. Em junho tem!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Saudade

Saudade do cheiro de grama cortada, de pegar ovos de codorna no viveiro e de plantar feijão em algodão.

Saudade do cheiro do shampoo Aquamarine, de assistir sessão da tarde e de esperar o leite ferver.

Saudade do cheiro do meu jardim de infância, do gosto da pasta de dente da mônica e de esperar o final de semana para assistir Silvio Santos.

Saudade do cheiro da bola de basquete, de escolher o time no par ou ímpar e dos “PF`s “dos restaurantes toscos nas viagens de campeonatos.

Saudade do desodorante Brut do meu avó, das histórias que ele me contava quando viajávamos e de ligar pra ele toda noite pra dar boa noite.

Saudade de ouvir New Kids on the Block e achar o máximo, de dar aula de trigonometria para a prima mais nova e de brigar de tapa com a mais velha.

Saudade de ser coberta ao deitar pra dormir, de ganhar beijo de boa noite na testa e de ser acordada pra ir pra escola.

Saudade de pensar em fugir com o circo, de querer ser polícia ou aeromoça.

Saudade do cheiro da lancheira, de conseguir lugar ao lado da melhor amiga no colégio e de copiar a Barsa nos trabalhos.

Saudade de receber cartas, de usar uniforme e da prova de fantasias pro bloco de carnaval.

Saudade das “primeiras vezes” dos aniversários e das despedidas.

Saudade das descobertas, de achar que 40 anos é muito velho, e que todo mundo é muito grande.


Saudade dos tempos, das coisas, das pessoas e de você.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Nick Hornby




Não consigo gostar pouco das coisas. Ou eu amo ou odeio. E um dos meus amores é Nick Hornby. Fui conhecê-lo depois de velha. O primeiro contato com sua obra foi o filme Alta Fidelidade, que na época eu nem soube quem estava por trás disso. O primeiro livro que li foi Slam (eu disse que já era velha) e depois disso todo um novo universo se abriu pra mim!
Queria ler logo tudo de vez, mas tenho medo de acabar e eu cair num vazio literário angustiante. Então vou poupando seus títulos, revezando com outras coisitas. Já pensei em ler um antigo somente quando ele lançar um novo, mas me achei dura demais comigo mesma, vivo fazendo promessas e coisas do tipo, não quero ter mais uma regra.
Depois de me deliciar com Slam, Alta Fidelidade, Um grande garoto, Uma longa queda e pedaços de 31 canções e Como ser Legal (eu também guardo farelos!) decidi me entregar ao Frenesi Polissilábico, na esperança em conversar com meu ídolo, dividir experiências, ouvir suas indicações (juro que às vezes tenho vontade de ligar pra ele!). Por volta da página 50 descubro que li exatamente 2,37 % das obras que ele cita no livro e graças a Deus (e ao próprio Nick Hornby) não me sinto uma idiota. Leio como uma adolescente aprecia cada palavra que sai da boca de um namorado mais velho, encantada, mesmo quando não se entende bulhufa do que ele diz.
Estou conseguindo colher alguns livros pra minha lista desse ano, já tenho 17 e tem espaço para 24( sim, eu leio bem devagar). Contando que estamos em maio, vai sobrar muita coisa no meu criado mudo. Se algum dos 2,2 leitores desse blog se interessar.... deixa pra lá. Acho difícil alguém querer saber minha opinião sobre algum livro, depois de ter me declarado ridiculamente crua nesse quesito. Não consigo terminar mais da metade dos livros que começo, especialmente quando chegam por indicação (mas abandono sem peso na consciência) e por favor, continuem indicando!
Os últimos que abandonei foram: A Cabana, Ensaio sobre a cegueira, A Menina que roubava livros, e outra menina que fazia alguma outra coisa. Ok. Não fui feliz nas escolhas (que me perdoe Saramago, mas não era “meu momento”), todos foram indicações de pessoas que garantiam que eu iria amar.

Enfim...

Leiam Nick Hornby!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Um conto sobre vésperas

Véspera de feriado. Tive uma semana estranha. Muitos pensamentos bizarros e paranóias me perseguem. Mas fora isso muitas coisas boas tem me acontecido. Boas e novas. Dessas coisas, umas são mais marcantes, e dessas coisas marcantes surgem as histórias que me divertem no trajeto do trabalho e antes de pegar no sono. Algumas têm final feliz, outras nem tanto.

Nem só peru...

O feriado era prolongado. A viagem com os amigos estava marcada desde o início do ano. De manhã bem cedo o jovem estagiário faz uma pequena lista do que ainda faltava providenciar, já que a mala estava pronta há dois dias. Na lista constava: farmácia, banco e gravar cds para viagem. Isso tudo deveria ser feito durante o trabalho, então ele precisava correr.
Na parte da manhã ele pesquisou blogs e sites de relacionamento pra checar o que a “galera bacana” andava ouvindo. Não queria se mostrar ultrapassado para os amigos. No horário do almoço, pegou um folheado com refresco na padaria e foi riscar outros itens da lista. Na saída da farmácia, o jovem que ouvia algumas músicas recém-baixadas no ipod estava focado demais nos planos do feriado pra participar do mundo exterior. Levou tylenol, neosaldina, engov, preservativos, desodorante, gilete, repelente, advil, guaraná em pó, vitamina C, piroxicam, loção pós-barba, eparema e saiu avoado. Deixou o caixa gritando para avisar que tinha troco. Um morador de rua, habitante daquela quadra, se interessou pelo troco e estendeu a mão com cara de piedade demonstrando que não se importava em ficar com aquela “diferença” que daria no caixa. O Caixa, que já estava contaminado pela alegria pré-feriado sorriu da ousadia do mendigo e dando de ombros deu-lhe os 60 centavos.
De volta ao trabalho, só faltavam 4 horas para pegar a estrada.
Felizmente não foi preciso desenvolver mecanismos de contagem regressiva, como costumava fazer nas tardes de sexta-feira. Muito trabalho lhe apareceu sob a mesa, e o tempo passou voando. Demais. Eram 17:53 quando conseguiu terminar o último relatório. O escritório já estava vazio. Muitos saíram mais cedo pra evitar o trânsito caótico desse dia. E o celular do jovem começava a receber os primeiros torpedos. “Estamos aí em 10 min”. “Ñ atrase o trânsito ta bizarro”.
Ainda faltava gravar os CDs, eram quatro coletâneas (Novidades/Feriadão/Recordar/Euforia) que pelos seus cálculos seriam suficientes para não precisar se submeter aos gostos duvidosos dos amigos durante toda a viagem. 20 minutos depois, quatro CDs queimados, computador desligado, o jovem tenta se espremer no elevador. Vai pelas escadas. O carro dos amigos já está parado a três quadras dalí e quatro novos sms foram enviados cobrando pelo atraso. Mesmo dentro do atraso, tudo é perfeitamente planejado, até a música que toca no ipod foi escolhida para o momento (uma que fazia parte do cd Euforia). A fila na catraca é imensa, o jovem não consegue segurar o sorrido enquanto cantarola a música, mas a fila não anda. Ele nem percebe. Está praticando air guitar de olhos fechados.
Quando deixa o edifício, é necessário voltar ao início a música que foi programada para o momento e já tinha acabado. O mendigo continuava ali na esquina, agora com um radinho de pilha ouvindo Nessun Dorma. Também de olhos fechados. Um táxi ultrapassa um ônibus, que pára fora do ponto para pegar uma mulher bem alinhada que fala ao celular. O taxista se vira pra xingar o motorista que continua sorrindo pra mulher enquanto ela sobe os degraus do ônibus. Depois de xingar toda a ala feminina da família do motorista, o taxista vira-se pra frente. Mas já é tarde. O jovem cai com a cabeça no meio fio. A mochila e o ipod ficam aos pés do mendigo que saí abrindo espaço em meio ao aglomerado que se forma, e passa a habitar outra quadra. Agora ele ouve “A Crippling Blow” no ipod.

...morre na véspera.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Efeito BBB a luz de vela


O casal está na cama gastando uma conversa antes de pegar no sono.

Ele: você acha que se alguém nos filmasse durante um tempo pra outras pessoas assistirem depois eles iam nos achar um casal legal?

Ela: Tipo Big Brother?

(eles não pensaram em pornografia, eu garanto)

Ele: É tipo BB , mas de casais.

Ela: Ahh acho que as pessoas iriam gostar da gente sim. Nós somos legais!

Ele: Sei lá, acho que teriam casais mais legais, barraqueiros, isso chama atenção e da ibope.

Ela: É, tem isso. Nós somos quietos demais.

Ele: Seriamos um típico casal de comédia romântica.

Ela: Tá louco? Você já assistiu alguma comédia romântica? Nós não temos nada em comum com aqueles casais. Eles são...românticos e clichês.

Ele: Ok. Mas se pensarmos em você como protagonista sem dúvida seria um drama.

Ela: Nesse caso sim. Mas acho que seria uma coisa mais cabeça, cult. Onde não se diz muita coisa mas quer dizer muito.

Ele: Não, acho que seria comédia.

Ela: Concordo, somos divertidos.

Ele:...

Ela: Dificilmente ganharíamos o prêmio se fosse escolha do público.

Ele: Depende muito da edição.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Tricot Machine




Acordei com uma sensação muito estranha. Mas antes de acordar havia sonhado que tinha acordado, e no sonho já havia feito muitas das minhas obrigações do dia. Sempre me acontece isso. Sonho que acordei e começo meu dia. Ok, o sonho sem-graça, nada lúdico e cheio de cotidiano, tem momentos bacanas, quando termino alguma obrigação. Mas acordar desse tipo de sonho é uma desgraça. Tenho que fazer tudo aquilo que já fiz denovo. Odeio refazer as coisas. Odeio!
Tenho que confessar que tem um detalhe interessante nesse tipo de sonho. Algumas vezes tenho idéias mirabolantes e soluções práticas para as minhas futuras tarefas, aí quando acordo tudo parece mais simples.
Mas enfim, não é nada disso que eu queria falar. É sobre algo totalmente oposto.
As vezes acho que estou sonhando. É, parece ridículo. Bobo. Mas a parada é muito séria. Eu não acho não, tenho plena certeza. Isso acontece quando fico muito feliz. As vezes é mais compreensível, tipo quando ganho um prêmio (não lembro de quando isso aconteceu comigo, mas se tivesse acontecido seria um ótimo exemplo), tipo loteria, seria tão eufórico que eu acharia que estou sonhando. Mas também não foi isso que me aconteceu. Foi algo mais simples. Tinha acabado de sair do trabalho, atravessei a Av. Rio Branco e parei no ponto de ônibus. De repente, me bateu uma alegria. Uma alegria tão forte, mas tão forte que eu comecei a rir sozinha. Alguns me olharam torto. Não me importei. Eu estava tão feliz. E claro, não aceitei aquela felicidade assim, de primeira. Fui logo descofiar da alegria (pra que?). Pensei, só posso estar sonhando. Isso tudo não pode estar acontecendo. Eu não estou tão feliz. Porque? Ai, e agora? Não quero acordar, não agora. Não quero que isso tudo que vem acontecendo e me deixando feliz seja só um sonho. Não quero. Não quero e não. E voltaram a me olhar torto. Claro , a menina que estava sorrindo sozinha começa a fechar os olhos forçadamente e fazer cara de raiva. Até eu me olharia torto.
Enfim, queria contar que tenho estado muito feliz.

Mas não é sobre isso que queria falar.

É sobre o Tricot Machine, uma banda fofa e linda que eu esbarrei por aí.
Eles são lindos, adoro casais cantando.
Ouça: Pas fait en chocolat


Não sei o que quer dizer mas parece uma boa pra páscoa ;)


www.myspace.com/tricotmachine