Eu gostaria de começar com Tudo Começou... mas na verdade não foi tudo que começou no começo, então vou dar início de um outro jeito qualquer.
Não lembro desde quando o funcionamento do mundo me incomoda tanto. Quando criança eu sentia muita pena e saudade das coisas. Eu fazia amizade com pedras, formigas,coelhos, patos, trevos (meus preferidos) e vivia pensando em como era a vida desses meus amigos. O que eles sentiam, do que eles precisavam. Claro que essas amizades não duravam muito tempo. Eram passageiras. Mas eu sempre sentia que eram partes de uma coisa maior. O incomodo vinha quase sempre das atitudes humanas. Não somente dos mais próximos a mim, mas das notícias da vida fora da minha bolha em Jacutinga.
Por volta dos 10 anos, eu desenvolvi uma paixão muito forte pelos Estados Unidos. Nada estava ligado ao Mickey, e sim aos sentimentos dos personagens que eu conhecia nos filmes. A inocencia é uma benção (versão infantil e gentil para: A ignorancia é uma benção). Eu acreditava que os EUA eram um país engajado na luta por um mundo melhor. Ok, de certa forma eles são. Se o mundo fosse só eles.
Depois que descobri que a coisa não era nada assim acho que fiquei envergonhada, e logo mais entrei na adolescencia, sobrou só o incomodo resultando quase sempre numa vontade imensa de fazer merda.
Muito mais tarde (nem tanto assim), eu virei mãe. E fiquei mais forte pra buscar a causa desse incomodo, porque eu não queria o mesmo para o meu filho. Não sei ao certo se eu encontrei ou se tive ajuda de outras forças. Caí nas redes macias da pedagogia Waldorf. Dentro dessa rede, tudo passou a fazer sentido pra mim. As idéias, os valores, as atitudes, as comidas, as amizades. Tudo. Eu até usaria as roupinhas semi-hippies se fosse necessário para ser aceito no grupo. Mas por sorte não foi.
Esse episódio número 1, poderia ser o zero. Porque vou parar por aqui.
sexta-feira, 11 de março de 2011
sábado, 31 de julho de 2010
Paris

Quando cheguei em Paris fiquei meio decepcionada porque tinha certa expectativa inconsciente de encontrar a cidade no em algum lugar do século passado. Imaginava ouvir Edit Piaf e ver pintores de aquarelas as margens do Sena. Não foi bem assim.
Como tinha 3 dias apenas na cidade mal deixei as malas no hostel e sai batendo perna, era estranho porque a Edit Piaf que eu pretendia ouvir a cada esquina era sibstituida pela Musica Under the Sea, da Pequena Sereia. Comecei a achar que era algum dia especial da Sereia, sei lá. Até que vi duas garotas (em momentos separados) usando um brinco de peixe palhaço, pra nao dizer que era do nemo. Pronto, só podia ser dia do ser marinho. Mas acho que não era. Eu é que me apego a detalhes em busca de mistérios a ser desvendados.
Paris é tão bonita que chega a ser enjoativa. Sei que é ridículo falar isso, mas ver tantas coisas bonitas faz com que o feio passe a ser o especial, entende? A cada final de rua que eu olhava via uma mega construção deslumbrante. Na décima vez que isso aconteceu, eu comecei a pensar. Ok.
Brincadeira, mas quase verdade. Exagero então.
Senti a polícia meio tensa na cidade. Toda hora via uma viatura barulhenta, muitas motos, muitos apitos e gritos. Comecei a esperar por uma tragédia, sorte que naqueles dias eu ainda não sabia que os Ets tinham nos visitado novamente. Ufa!
Acabei me dando bem com o idioma, usei uma tática bem diferente que usava na Alemanha. Na Alemanha eu queria aprender, então sempre chegava falando alemão, discretamente, devagar e esperando fluir uma conversa amigável e num ritmo plausivel pro meu entendimento. Na quarta troca de frase eu já tinha que soltar algo do tipo: Desculpe eu estava te enganando, podemos falar inglês?
Já eu Paris eu pratiquei a humildade. Falava todos os por favores, obrigados, com licenças e pronomes de tratamento, e logo depois de me desculpar pela minha ignorancia em nao saber falar frances (tudo isso entao entao em frances), pedia pra conversar em Ingles. Nossa, como fez diferença. Era tratada como uma rainha comparando com o resultado do método praticado na Alemanha. Tem coisas que só a experiencia ensina...
Não estou muito afim de falar da cidade em si. Passei metade de um dia perdida no Louvre ( mega arrependida de ter entrado) e outra grande parte explorando o comércio bacana da Rua Saint-Honoré. E comi todo o doce que meu corpo suportou em 72 horas. Cheguei em Londres meio... cheinha.
Ahhh e uma informação inútil interessante. Chegando na cidade peguei um guia de compras em Paris, e pra situar o leitor/consumidor eles pedem pra voce fazer um teste no início pra saber quais as lojas ideais pra voce. O meu teste deu BOBOS! Aha! sabia que um dia o nome desse blog ia ter uma razão de ser. Quer dizer que entre Classica, Fashionista e outras coisas estou mais perto de ser Burguesa e Bohemia, pena que as lojas indicadas pro meu perfil eram caríssimas.
domingo, 25 de julho de 2010
Nimes
Nunca havia ouvido falar dessa cidade ate quando descobri o Festival de Nimes enquanto buscava algum lugar para ver o show da Florence and the Machine. Foi o lugar mais " no meio do caminho " que encontrei, e me pareceu bem romantico assistir ao show numa Arena Romana.
Cheguei em Nimes no dia do show, descobri que tinha acabado a bateria da minha camera e claro, um show tao esperado nao podia deixar de ser registrado. Mas nao era somente carregar, antes teria que conseguir um adaptador que ate entao eu vinha usando dos meus colegas de quarto, mas em Nimes eu estava sozinha. Num hotel assustador. O hotel tinha carpete ate o teto, lustres enormes que eu quase batia a cabeca. E um elevador antigo com um senhor ascensorista importado direto de um filme de terror. e o barulho que o elevador fazia..Ui da ate frio na barriga de pensar. Nesse dia tive muitos pesadelos.
Sai para procurar o adaptador , fiquei praticamente andando em circulo o tempo todo buscando uma Fnac, e como estava do lado da Arena onde seria o show ouvi toda a passagem de som do Mika. Ate ai, nada me emocionou muito, eu nao estava muito preocupada com o Mika. Mas a verdade e que bem fiquei cantarolando Relax, Take it Eaaaaasy... o resto do dia.
Bateria carregada fui para o show. Achei que ia chegar cedo demais. Errei. Tinha uma multidao que eu nunca poderia imaginar, ja que ate o momento que fui pro hotel tomar banho a cidade estava vazia. Ate achei que eles faziam tambem a siesta.
Era muita gente. Familias completas. Muita crianca. Criancas minusculas, 3 a 7 anos. O que eles querem aqui? Eu pensava. Sera que vai aguentar?
A programacao comecou com um show timido mas muito bacana do Newton Faulkner. Tinha ate dado uma pesqueisada na vida dele, mas nao esperava um show tao gostoso. E a criancada la, fazendo o primeiro lanche da noite.
Quando a Florence entrou eu esqueci das criancas. Nao sei se elas gostaram ou nao. Eu quase chorei. Parecia que ela cantava so pra mim. Senti certa coneccao entre a gente. rs
O show foi bem curto, nem lembro de ouvir Kiss with a Fist. Nem gosto muito, mas saberia se tivesse ouvido. Mas valeu cada segundo. E ate o desentendimento que tive com uma vizinha porque eu devia estar cantando muito alto.
Quando o show acabou a " vizinha" arriscou um ingles sofrivel me perguntando se eu pretendia me comportar assim tambem durante o show do Mika. Eu respondi. Quem e Mika querida? Ok, fui grossa mas tinha que ter uma atitude, ela ja devia ter falado varios palavroes que nao pude me defender. Depois disso tive que mudar de lugar, porque a situacao entre a gente nao ficou das melhores. Fui pra cima da Arena, la no alto, de onde eu podia ver bem a criancada novamente. E uma outra surpresa. Tinha uma ala enorme so com deficientes fisicos. Mas enorme mesmo. Fiquei pensando se seria um evento beneficiente e talvez aquelas criancas todas fossem de uma creche. Faria muito mais sentido. Bom, ate agora nao sei sobre os deficientes. Mas as criancas me surpreenderam.
Comecou o show do Mika e aqueles franceses blases desceram do salto. Nunca vi tanta paixao em massa.
E as criancas dancaram e cantaram e pularam cada um dos 120 minutos de show. O show foi demais mesmo. O Mika falava so em frances com o publico, o que pra mim nao era tao interessante, mas valeu pela felicidade que isso despertava no publico.
Sai de la apaixonada pelo Mika. Acho que ate os deficientes cantavam. E outra coisa interessante. A tarde enquanto procurava o adaptador me esbarrei com um grupo enorme de portadores de Sindome de Down. Eles sao bastante familiar pra mim, nao pude deixar de ver que estavam bastante animados e determinados como um grupo exemplar em excursao pelo sul da Franca. Mas ai vem mais uma surpresa da noite. Quase no final do show, entra um grupo de pessoal muito fantasiados, todos com mascaras de bonecos, fazendo uma performance simples de passagem pelo palco. Eram eles! A excursao de Downs! Eu quase chorei. Tudo bem que choro com tudo, mas esse dia realmente foi especial. A noite estava linda, as pessoas muito felizes. O lugar era maravilhoso. Eu olhava pro ceu e via minhas estrelas, no horizonte via a silhueta daquelas arena maravilha naquela noite pouco escura. E as criancas sorriam sem parar.
Sou fan do Mika desde esse momento. Ele com certeza e um cara especial.
Nunca me esquecerei do coro gritando:
" We are not what you think we are.
We are golden. We are golden"
Pra quem quiser conhecer o simpatico Newton Faulkner:
http://www.myspace.com/newtonfaulkner ( Ouca: Dream Catch Me)
Mas a Florence ainda e minha preferida. So pra constar.
Cheguei em Nimes no dia do show, descobri que tinha acabado a bateria da minha camera e claro, um show tao esperado nao podia deixar de ser registrado. Mas nao era somente carregar, antes teria que conseguir um adaptador que ate entao eu vinha usando dos meus colegas de quarto, mas em Nimes eu estava sozinha. Num hotel assustador. O hotel tinha carpete ate o teto, lustres enormes que eu quase batia a cabeca. E um elevador antigo com um senhor ascensorista importado direto de um filme de terror. e o barulho que o elevador fazia..Ui da ate frio na barriga de pensar. Nesse dia tive muitos pesadelos.
Sai para procurar o adaptador , fiquei praticamente andando em circulo o tempo todo buscando uma Fnac, e como estava do lado da Arena onde seria o show ouvi toda a passagem de som do Mika. Ate ai, nada me emocionou muito, eu nao estava muito preocupada com o Mika. Mas a verdade e que bem fiquei cantarolando Relax, Take it Eaaaaasy... o resto do dia.
Bateria carregada fui para o show. Achei que ia chegar cedo demais. Errei. Tinha uma multidao que eu nunca poderia imaginar, ja que ate o momento que fui pro hotel tomar banho a cidade estava vazia. Ate achei que eles faziam tambem a siesta.
Era muita gente. Familias completas. Muita crianca. Criancas minusculas, 3 a 7 anos. O que eles querem aqui? Eu pensava. Sera que vai aguentar?
A programacao comecou com um show timido mas muito bacana do Newton Faulkner. Tinha ate dado uma pesqueisada na vida dele, mas nao esperava um show tao gostoso. E a criancada la, fazendo o primeiro lanche da noite.
Quando a Florence entrou eu esqueci das criancas. Nao sei se elas gostaram ou nao. Eu quase chorei. Parecia que ela cantava so pra mim. Senti certa coneccao entre a gente. rs
O show foi bem curto, nem lembro de ouvir Kiss with a Fist. Nem gosto muito, mas saberia se tivesse ouvido. Mas valeu cada segundo. E ate o desentendimento que tive com uma vizinha porque eu devia estar cantando muito alto.
Quando o show acabou a " vizinha" arriscou um ingles sofrivel me perguntando se eu pretendia me comportar assim tambem durante o show do Mika. Eu respondi. Quem e Mika querida? Ok, fui grossa mas tinha que ter uma atitude, ela ja devia ter falado varios palavroes que nao pude me defender. Depois disso tive que mudar de lugar, porque a situacao entre a gente nao ficou das melhores. Fui pra cima da Arena, la no alto, de onde eu podia ver bem a criancada novamente. E uma outra surpresa. Tinha uma ala enorme so com deficientes fisicos. Mas enorme mesmo. Fiquei pensando se seria um evento beneficiente e talvez aquelas criancas todas fossem de uma creche. Faria muito mais sentido. Bom, ate agora nao sei sobre os deficientes. Mas as criancas me surpreenderam.
Comecou o show do Mika e aqueles franceses blases desceram do salto. Nunca vi tanta paixao em massa.
E as criancas dancaram e cantaram e pularam cada um dos 120 minutos de show. O show foi demais mesmo. O Mika falava so em frances com o publico, o que pra mim nao era tao interessante, mas valeu pela felicidade que isso despertava no publico.
Sai de la apaixonada pelo Mika. Acho que ate os deficientes cantavam. E outra coisa interessante. A tarde enquanto procurava o adaptador me esbarrei com um grupo enorme de portadores de Sindome de Down. Eles sao bastante familiar pra mim, nao pude deixar de ver que estavam bastante animados e determinados como um grupo exemplar em excursao pelo sul da Franca. Mas ai vem mais uma surpresa da noite. Quase no final do show, entra um grupo de pessoal muito fantasiados, todos com mascaras de bonecos, fazendo uma performance simples de passagem pelo palco. Eram eles! A excursao de Downs! Eu quase chorei. Tudo bem que choro com tudo, mas esse dia realmente foi especial. A noite estava linda, as pessoas muito felizes. O lugar era maravilhoso. Eu olhava pro ceu e via minhas estrelas, no horizonte via a silhueta daquelas arena maravilha naquela noite pouco escura. E as criancas sorriam sem parar.
Sou fan do Mika desde esse momento. Ele com certeza e um cara especial.
Nunca me esquecerei do coro gritando:
" We are not what you think we are.
We are golden. We are golden"
Pra quem quiser conhecer o simpatico Newton Faulkner:
http://www.myspace.com/newtonfaulkner ( Ouca: Dream Catch Me)
Mas a Florence ainda e minha preferida. So pra constar.
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