quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Christus-Statue:schwarz, rot, golden e eu feliz no Dona Marta

Eu levo bem a sério essa brincadeira de Alemanha, falou em concurso, promoção e sorteio então, tô dentro. Aí eles decidem iluminar o Cristo com as cores da bandeira no dia que se comemora a unificação do país, claro, não só por isso. Ano que vem aqui é o ano deles. Ou seja, Ano da Alemanha no Brasil. Claro, estou bastante animada com isso. Mas não é disso que quero falar. O concurso é o seguinte. Quem tirar a melhor foto do Cristo hoje, ganha uma passagem pra Alemanha. O que pra mim significa: Berlin, Berlin, Berlin! Vamos lá. Bom, não tenho uma boa câmara, ooops câmera. Pego uma emprestada e saio em busca do melhor ângulo. Resolvo subir o Dona Marta. O que pra mim significa: Mototáxi, Mototáxi, Mototáxi! Mas não, fui de bonde. Muito legal, são 5 estações. E uma eles chamam carinhosamente de Jackson. Passo a Jackson e desço na última. Nem bem termino de arrumar a câmera já escuto. Kuck mal! Ok, tenho concorrência na área. Depois de umas 20 tentativas, noto que não rola tirar foto sem tripé sem prender a respiração. Nem prendendo a coisa ficou boa. Fiquei frustada, mas não desisti. O Cristo está colorido até amanhã de manhã. E hoje nem pretendo dormir. Pra combater a frustração, desci a pé, e valeu cada momento. Muita gente me consolou por eu não ter tido sucesso como fotógrafa. E eu em troca expliquei que não eram as cores de uma daquelas gelatinas coloridas, era a bandeira da Alemanha. Eu um momento confesso que resolvi simplificar que hoje é aniversário deles, e curiosamente ninguém me perguntou.Porque diabos eles vieram comemorar aqui? Nos primeiros degraus já não resisti de proteger a máquina emprestada do amigo. Precisava registrar aquelas cenas, aquelas pessoas. E foi assim... (tem até uma do Cristo, pra não falar que perdi o foco, embora seja exatamente o que aconteceu, sem metáforas)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Olá meu bem,

Infelizmente ou não, ainda não nos conhecemos. Pelo menos tenho uns 90% de certeza disso. Mas isso não me impede de pensar em você. Hoje pensei mais que o normal, por isso decidi te escrever. Acho muito engraçado a quantidade de vezes que me pego pensando em alguém que ainda não conheço. Isso porque nem sempre consigo “me pegar” nessa condição, passa despercebido. É curioso, eu sei. Mas é divertido, vou te explicar. Sem ter te visto, tenho uma idéia, um pouco nebulosa de como você é fisicamente. Você é muito bonito (embora muitos pensam o contrário), e o que eu mais gosto de tudo, é a forma como você sorri com os olhos. Outros detalhes são menos importantes, muito menos importantes do que o seu sorriso. Fico imaginando como será o dia que nos conhecermos. Não gosto de pensar sobre isso, odeio na verdade, fico super ansiosa. Mas é difícil evitar. Será que vamos nos reconhecer? Acho que sim. Afinal, eu pelo menos, não sou dessas que arriscariam não ir falar com você caso tivesse alguma suspeita de que você é você. Isso é bom por várias razões, a principal é não correr o risco de você passar despercebido e a segunda, é que algumas dessas vezes, que eu arrisquei pra saber se era você, e não era, acabei conhecendo pessoas legais. Engraçado. Deve ser porque pessoas que tenha um pouco de você, a ponto de me confundir, já são especiais. Nossa, tenho tanta coisa pra te falar quando nos encontrarmos. Mas prometo ir devagar. Vou me segurar muito pra não te cansar logo de cara. Acho que sei fazer isso muito bem. Ahh! Você não sabe! Tenho mania de fazer caixas para pessoas. Pensei em fazer uma pra você. Claro que não vai ter seu nome etiquetado e tal. Afinal, isso é uma coisa que não posso saber, o seu nome. Imagina em tempos de redes sociais! Eu não iria resistir em te procurar por aí. Mas então, voltando a caixa, acho que vou fazer uma caixa postal pra você, virtual mesmo, já que você também ainda não é tãoo real. Vou te mandar umas coisas, coisas que me lembram você. Depois, um dia te dou a senha. Assim pelo menos, não perco essas coisas. Nossa, vai ser ótimo, tenho várias músicas que queria ouvir com você um dia, coisas que quero fazer e lugares para visitar. Prepare-se, quando abrir a caixa vai ter só listas e listas. Além de caixas, eu amo listas. Ahh! E gosto também de promessas. Mas isso não tem nada a ver contigo. Por enquanto. Outro dia estava pensando sobre seus defeitos. Claro que você tem. Fique tranqüilo. Não espero e nem acredito em perfeição. Defeitos prováveis (era o nome da lista): 1) mal gosto musical. 2) mal gosto pra se vestir. 3) vício em vídeo-game. 4) vício em futebol. 5) preguiça. 6) não gostar de provar coisas novas – vamos dar o exemplo.. comida. Bom, de todas as opções a número 1 é a pior pra mim. Sei que você pode dizer que gosto não se discute ou é muito relativo, enfim, mas não é bem assim. Mau gosto é realmente melhor não se discutir, por isso eu acho esse o pior defeito. Para o número 2 sempre temos esperança que possa mudar, embora, depois de uma certa idade, isso fica cada dia mais complicado. Para os números 3, 4 e 5 eu já estou preparada. Pratiquei muito e continuo me dedicando com muita determinação, para me preparar e saber lidar com eles. Sobre o 6, que dei o exemplo de comida, seria tipo ter o paladar infantil sabe? Que só come a mesma coisa sempre, e, além de satisfeito, ignora todos os outros alimentos que existem. Acho isso um desperdício enorme, e me irrita muito. Chega de defeitos, eu tenho centenas. Sabe quando mais lembro de você? Quando estou feliz. Você está ligado a tudo de bom da minha vida. Quando vou a algum legal, quando ouço uma música boa. Quando viajo. Quando a lua está linda. Quando devoro um livro ou vejo um filme cinco vezes. Quando acordo de bom humor. Quando compro flores. Quando apanho frutas no pé. Quando é natal, e quando está muito frio. Por mais que eu não evite, sempre volto a pensar no dia que nos encontrarmos. Nos seus olhos sorrindo. Eu acho que vou perder a respiração, sentir nó na garganta e o rosto queimar. Talvez eu chore, eu choro muito de felicidade. Bom meu amor, vou dormir. Provavelmente pensando em você. Um beijo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Por uma vida menos... (palavra em estudo) Episódio 1

Eu gostaria de começar com Tudo Começou... mas na verdade não foi tudo que começou no começo, então vou dar início de um outro jeito qualquer.
Não lembro desde quando o funcionamento do mundo me incomoda tanto. Quando criança eu sentia muita pena e saudade das coisas. Eu fazia amizade com pedras, formigas,coelhos, patos, trevos (meus preferidos) e vivia pensando em como era a vida desses meus amigos. O que eles sentiam, do que eles precisavam. Claro que essas amizades não duravam muito tempo. Eram passageiras. Mas eu sempre sentia que eram partes de uma coisa maior. O incomodo vinha quase sempre das atitudes humanas. Não somente dos mais próximos a mim, mas das notícias da vida fora da minha bolha em Jacutinga.
Por volta dos 10 anos, eu desenvolvi uma paixão muito forte pelos Estados Unidos. Nada estava ligado ao Mickey, e sim aos sentimentos dos personagens que eu conhecia nos filmes. A inocencia é uma benção (versão infantil e gentil para: A ignorancia é uma benção). Eu acreditava que os EUA eram um país engajado na luta por um mundo melhor. Ok, de certa forma eles são. Se o mundo fosse só eles.
Depois que descobri que a coisa não era nada assim acho que fiquei envergonhada, e logo mais entrei na adolescencia, sobrou só o incomodo resultando quase sempre numa vontade imensa de fazer merda.
Muito mais tarde (nem tanto assim), eu virei mãe. E fiquei mais forte pra buscar a causa desse incomodo, porque eu não queria o mesmo para o meu filho. Não sei ao certo se eu encontrei ou se tive ajuda de outras forças. Caí nas redes macias da pedagogia Waldorf. Dentro dessa rede, tudo passou a fazer sentido pra mim. As idéias, os valores, as atitudes, as comidas, as amizades. Tudo. Eu até usaria as roupinhas semi-hippies se fosse necessário para ser aceito no grupo. Mas por sorte não foi.
Esse episódio número 1, poderia ser o zero. Porque vou parar por aqui.

sábado, 31 de julho de 2010

Barcelona - Fotos




Berlin - Fotos









Paris - Fotos



Porque eu não consigo colocar tudo junto.

Paris - Fotos

Paris



Quando cheguei em Paris fiquei meio decepcionada porque tinha certa expectativa inconsciente de encontrar a cidade no em algum lugar do século passado. Imaginava ouvir Edit Piaf e ver pintores de aquarelas as margens do Sena. Não foi bem assim.
Como tinha 3 dias apenas na cidade mal deixei as malas no hostel e sai batendo perna, era estranho porque a Edit Piaf que eu pretendia ouvir a cada esquina era sibstituida pela Musica Under the Sea, da Pequena Sereia. Comecei a achar que era algum dia especial da Sereia, sei lá. Até que vi duas garotas (em momentos separados) usando um brinco de peixe palhaço, pra nao dizer que era do nemo. Pronto, só podia ser dia do ser marinho. Mas acho que não era. Eu é que me apego a detalhes em busca de mistérios a ser desvendados.
Paris é tão bonita que chega a ser enjoativa. Sei que é ridículo falar isso, mas ver tantas coisas bonitas faz com que o feio passe a ser o especial, entende? A cada final de rua que eu olhava via uma mega construção deslumbrante. Na décima vez que isso aconteceu, eu comecei a pensar. Ok.
Brincadeira, mas quase verdade. Exagero então.
Senti a polícia meio tensa na cidade. Toda hora via uma viatura barulhenta, muitas motos, muitos apitos e gritos. Comecei a esperar por uma tragédia, sorte que naqueles dias eu ainda não sabia que os Ets tinham nos visitado novamente. Ufa!
Acabei me dando bem com o idioma, usei uma tática bem diferente que usava na Alemanha. Na Alemanha eu queria aprender, então sempre chegava falando alemão, discretamente, devagar e esperando fluir uma conversa amigável e num ritmo plausivel pro meu entendimento. Na quarta troca de frase eu já tinha que soltar algo do tipo: Desculpe eu estava te enganando, podemos falar inglês?
Já eu Paris eu pratiquei a humildade. Falava todos os por favores, obrigados, com licenças e pronomes de tratamento, e logo depois de me desculpar pela minha ignorancia em nao saber falar frances (tudo isso entao entao em frances), pedia pra conversar em Ingles. Nossa, como fez diferença. Era tratada como uma rainha comparando com o resultado do método praticado na Alemanha. Tem coisas que só a experiencia ensina...
Não estou muito afim de falar da cidade em si. Passei metade de um dia perdida no Louvre ( mega arrependida de ter entrado) e outra grande parte explorando o comércio bacana da Rua Saint-Honoré. E comi todo o doce que meu corpo suportou em 72 horas. Cheguei em Londres meio... cheinha.
Ahhh e uma informação inútil interessante. Chegando na cidade peguei um guia de compras em Paris, e pra situar o leitor/consumidor eles pedem pra voce fazer um teste no início pra saber quais as lojas ideais pra voce. O meu teste deu BOBOS! Aha! sabia que um dia o nome desse blog ia ter uma razão de ser. Quer dizer que entre Classica, Fashionista e outras coisas estou mais perto de ser Burguesa e Bohemia, pena que as lojas indicadas pro meu perfil eram caríssimas.

domingo, 25 de julho de 2010

Nimes

Nunca havia ouvido falar dessa cidade ate quando descobri o Festival de Nimes enquanto buscava algum lugar para ver o show da Florence and the Machine. Foi o lugar mais " no meio do caminho " que encontrei, e me pareceu bem romantico assistir ao show numa Arena Romana.
Cheguei em Nimes no dia do show, descobri que tinha acabado a bateria da minha camera e claro, um show tao esperado nao podia deixar de ser registrado. Mas nao era somente carregar, antes teria que conseguir um adaptador que ate entao eu vinha usando dos meus colegas de quarto, mas em Nimes eu estava sozinha. Num hotel assustador. O hotel tinha carpete ate o teto, lustres enormes que eu quase batia a cabeca. E um elevador antigo com um senhor ascensorista importado direto de um filme de terror. e o barulho que o elevador fazia..Ui da ate frio na barriga de pensar. Nesse dia tive muitos pesadelos.
Sai para procurar o adaptador , fiquei praticamente andando em circulo o tempo todo buscando uma Fnac, e como estava do lado da Arena onde seria o show ouvi toda a passagem de som do Mika. Ate ai, nada me emocionou muito, eu nao estava muito preocupada com o Mika. Mas a verdade e que bem fiquei cantarolando Relax, Take it Eaaaaasy... o resto do dia.
Bateria carregada fui para o show. Achei que ia chegar cedo demais. Errei. Tinha uma multidao que eu nunca poderia imaginar, ja que ate o momento que fui pro hotel tomar banho a cidade estava vazia. Ate achei que eles faziam tambem a siesta.
Era muita gente. Familias completas. Muita crianca. Criancas minusculas, 3 a 7 anos. O que eles querem aqui? Eu pensava. Sera que vai aguentar?
A programacao comecou com um show timido mas muito bacana do Newton Faulkner. Tinha ate dado uma pesqueisada na vida dele, mas nao esperava um show tao gostoso. E a criancada la, fazendo o primeiro lanche da noite.
Quando a Florence entrou eu esqueci das criancas. Nao sei se elas gostaram ou nao. Eu quase chorei. Parecia que ela cantava so pra mim. Senti certa coneccao entre a gente. rs
O show foi bem curto, nem lembro de ouvir Kiss with a Fist. Nem gosto muito, mas saberia se tivesse ouvido. Mas valeu cada segundo. E ate o desentendimento que tive com uma vizinha porque eu devia estar cantando muito alto.
Quando o show acabou a " vizinha" arriscou um ingles sofrivel me perguntando se eu pretendia me comportar assim tambem durante o show do Mika. Eu respondi. Quem e Mika querida? Ok, fui grossa mas tinha que ter uma atitude, ela ja devia ter falado varios palavroes que nao pude me defender. Depois disso tive que mudar de lugar, porque a situacao entre a gente nao ficou das melhores. Fui pra cima da Arena, la no alto, de onde eu podia ver bem a criancada novamente. E uma outra surpresa. Tinha uma ala enorme so com deficientes fisicos. Mas enorme mesmo. Fiquei pensando se seria um evento beneficiente e talvez aquelas criancas todas fossem de uma creche. Faria muito mais sentido. Bom, ate agora nao sei sobre os deficientes. Mas as criancas me surpreenderam.
Comecou o show do Mika e aqueles franceses blases desceram do salto. Nunca vi tanta paixao em massa.
E as criancas dancaram e cantaram e pularam cada um dos 120 minutos de show. O show foi demais mesmo. O Mika falava so em frances com o publico, o que pra mim nao era tao interessante, mas valeu pela felicidade que isso despertava no publico.
Sai de la apaixonada pelo Mika. Acho que ate os deficientes cantavam. E outra coisa interessante. A tarde enquanto procurava o adaptador me esbarrei com um grupo enorme de portadores de Sindome de Down. Eles sao bastante familiar pra mim, nao pude deixar de ver que estavam bastante animados e determinados como um grupo exemplar em excursao pelo sul da Franca. Mas ai vem mais uma surpresa da noite. Quase no final do show, entra um grupo de pessoal muito fantasiados, todos com mascaras de bonecos, fazendo uma performance simples de passagem pelo palco. Eram eles! A excursao de Downs! Eu quase chorei. Tudo bem que choro com tudo, mas esse dia realmente foi especial. A noite estava linda, as pessoas muito felizes. O lugar era maravilhoso. Eu olhava pro ceu e via minhas estrelas, no horizonte via a silhueta daquelas arena maravilha naquela noite pouco escura. E as criancas sorriam sem parar.
Sou fan do Mika desde esse momento. Ele com certeza e um cara especial.
Nunca me esquecerei do coro gritando:

" We are not what you think we are.
We are golden. We are golden"

Pra quem quiser conhecer o simpatico Newton Faulkner:
http://www.myspace.com/newtonfaulkner ( Ouca: Dream Catch Me)

Mas a Florence ainda e minha preferida. So pra constar.

domingo, 18 de julho de 2010

Barcelona

" In December drinking horchata
I'd look psychotic in a balaclava
Winter's cold is too much to handle
Pincher crabs that pinch at your sandals"

Ok, é julho, mas pra mim é dezembro.

Vim pra Barcelona contrariada, queria ficar em Berlin, gostei muitos dos dias pseudo-turisticos que fiquei lá, acho que sou desse tipo. Turista que nao gosta de fazer turismo.
Antes de chegar em Barcelona tenho uma bela sensacao, acho que perdi totalmente o medo de aviao. Gracas a duas criancas fofas que vieram do meu lado brincando muito, muito felizes e divertidas. E tambem a equipe de bordo que passou todo o voo fazendo brincadeiras, piadas, até fizeram uma danca no lugar daquela demonstracao de como evitar a morte, se é que é possivel. Bom, aquela atmosfera me embalou e de repente notei que nem sei ao certo do que tanto eu tenho medo.
Enfim cheguei. Um calor dos demonios, a cidade tem gente em todo lugar que comporte um ser humano. Com dois dias aqui já fiz quase todos os passeios importantes, Sagrada Familia, coisas do Gaudi, Praia, MACBA, Museo Picasso e muitas caminhadas pela cidade. Tenho tentado formar uma opinao sobre a cidade, mas ainda nao consegui. Pra mim o melhor é a comida, o Gaudi a lingua (nao o catalao, o espanhol)e o fato de ter manifestacoes musicais em todos os cantos. Está acontecendo uma festa famosa da cidade o GREC, e fico sempre me esbarrando com alguma programacao do festival. Ontem mesmo numa praca tinha uma banda i-d-e-n-t-i-c-a ao Brasov, tudo bem que eles nao sao nada vanguardistas, mas esse brasov catalao usava ate os mesmos modelitos e o vocalista era parecido com o... esqueci o nome do cantos do Brasov.
Bem, entre umas e outras manifestacoes ouco de longe na praia um som gostosinho, numa lingua que me parecia muito familiar, e um violino de arrepiar.
O nome da Banda é Valentine and the true Believers (http://www.myspace.com/valentinethetruebelievers) eles sao de Hamburgo. Muito bom o som. Eles estao fazendo um tour de rua pela Europa, eu bem fiquei com vontade de seguir eles. Eu quero fazer um Tour de rua também, posso tocar minha unica musica intercalando com uns covers de moldy peaches e da florence. É ia ser perfeito. Pra mim pelo menos. Se bem que o copinho de moeda mais cheio que vi em Barcelona `foi de um cara cantando Djavan. Pra esse publico eu poderia tocar.... Alcapone!
Seja a musica que for é sempre surpreendente encontrar esses artistas pelas ruas. Eles fazem seus proprios instrumentos, vivem sujos, mas sempre emocionam. Teve uma mulher no trem que levou 2 euros meus só porque tava tocando com um violao faltando duas cordas e seguia fazendo os acordes normalmente como se elas tivessem ali, o som era horrivel, mas a voz dela era ótima, e as cancoes, puro romance. Quase chorei.
Fora o excesso de turistas, Barcelona é bem interessante.
Fui a missa. Na verdade queria só poder entrar até o final da Catedral de Barcelona, mas estava tendo missa e aproveitei. Nao consegui me concentrar nem por um segundo no padre, porque havia Tvs de Plasma por toda a igreja, transmitindo a cerimonia. Isso é normal? Pode ser né, afinal nao vou a igreja ha anos. Mas pra mim nao funciona, missa é uma coisa antiga e que tem que ser tradicional. Cruzes. Se bobear tinha até cabine com traducao simultanea. Ahhh, e mais estranho ainda, no lugar daquele monte de velas que as pessoas costumam colocar na entrada da igreja, tinha uma bancada lacrada com vidro com um monte de velas falsas!! e vc pode acender suas lampadas colocando 1 Euro na maquina. Meu Deus! O que deve valer mesmo é a intencao, ninguem nunca disse que Deus é contra tecnologia, eu que sou um pouco.
Uma coisa muito bacana> na praia tem chuveiros legalizados pra todo lado e eles tem um mecanismo que é dificil manter ligado, vc tem que fazer certa forca. E se soltar desliga. Porque ainda temos aqueles chuveiros ilegais super anti-ecologicos nas praias do Rio?
Acho que musica e sustentabilidade sao meus assuntos prediletos...

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Albergue

Antes de viajar sempre ouvia as pessoas dizendo. Voce é corajosa. Vai sozinha sozinha? num ALbergue? Quarto com 12 pesoas? É gente, por mais moderna que eu me ache, é hilário e muito estranho os meus dias. Levanto em consideracao que sou hipocondriaca, maniaca por limpeza, mega timida, e tudo mais, to me dando muito bem.
A principio reservei um quarto so pra meninas, achei que pro comeco da viagem seria melhor, e tambem sao duas semanas seguidas no mesmo lugar. No segundo dia no quarto to la passando meus cremes noturnos e me preparando pra estudar e chega minha nova colega de quarto. Um finandes. Homem. Bateu aquela vontade de reclamar, mas esperei um pouco porque nao queria ter inimizades logo de cara. E nesse tempo analisando a causa o menino puxa papo comigo. E ele era tao legal que desisti de reclamar. Realmente foi uma boa desisao, dos montes que passaram ja pelo meu quarto ele era de longe o que tinha mais bom gosto musical e tambem me dava dicas de lugares bacanas, de design e arte. Coisa que nunca rolaria com o chines que apareceu uns dois dias depois. Sobre esse nao tenho nem o que falar, nunca conversamos. Ele sim falou um bocado de Sorry pra mim enquanto fazia barulho no quarto e eu tava dormindo. Ninguem merece tanta educacao, mal sabe ele que o Sorry sorry me acordava mais que o barulho.
Mas foi legal, ele foi embora e deixou varios produtos chines pra mim. Teve tambem as duas mexicanas que estavam quando cheguei. Elas vinham de outra area do albergue e ja estavam acabando o tour pela europa. Mae e filha, cheias de historias de vigens, sabem tudo que é macete pra se dar bem. Aquela coisa de mae e filha me deixou meio nostalgica, quaria minha mae e meu filho ali comigo, mas transferi toda minha carencia pra ela e nelas me colei. Um dia me chamaram pra jantar com elas na cozinha do albergue. Claro que fui, ate porque nem sabia que tinha cozinha. Elas me mostraram tudo. e me deixaram toda comida que tinham de reserva depois que foram embora. ótimo. Só nao me dizeram que era ilegal frequentar aquela area. Um tinha a senha e continuei indo pra la. Ate que um dia mudaram a senha e ainda me deixaram um bilhete com algo do tipo: Ola invasora, jogamos sua comida no lixo. Ótimo. Era tudo que eu precisava. Fiz uma compra enorme,varios tipos de cogumelo, queijos, legumes bizarros que ate hoje nao sei o que sao. Salsichas. Tudo no lixo.
Bom, agora to aqui gastando os dedos porque chegou um grupo de quatro holandeses que em breve irao pro Festival Melt. E estao repousando no quarto. Hoje vai ser um daqueles dias que nao vou dormir porque nao vou encontrar minha escova de dente.Alias, queria muito que minha mae soubesse que sou top 1 de banho aqui. Ela nao iria acreditar que tomo 2 banhos quase todos os dias, e meus colegas, uns 2 por semana. Eu meio que distoo ( nao sei como escreve) do pesoal. Sou a unica que tem uma planta no quarto (comprei uma lavanda pra ficar comigo uns dias) estudo as vezes durante a tarde, guardo garrafas pets pra retornar no mercado ( preciso aproveitar aqui enquanto nao posso fazer isso no Brasil) e tomo jägermeister com Bionade no lugar de cerveja, fora os banhos e as escovadas de dente frenéticas. Agora ouvi um grupo falando que vao amanha no show do Hercules and the Love affair, hora de fazer amizades. Ahhhh, teve um episodio engracado tambem em Praga, no meu quarto que nao dava pra ver o fundo, milhoes de pessoas que nem sei se eram pessoas mesmo ou só malas. Em cima da minha cama dormia uma brasileira, que estava viajando sozinha. Ela ficou todo o tempo que eu estive la falando com o namorado pelo skype, as vezes se trancava no banheiro pra ficar mais a vontade. Isso me deixou bem, senti como sou desapegada. Claro que estou longe de ser na verdade, mas é bom se esbarrar com coisas assim que te fazem sentir mais.... descolada.
Super Super!

domingo, 11 de julho de 2010

Praga

Como ja estava me sentindo local com uma semana quase em Berlin resolvi passar um final de semana fora da cidade, conhecer alguma coisa a mais. A duvida era entre Hamburgo, colonia, Varsovia e Praga. Pela internet descubro que uma prima minha estava em Praga, entao usei isso como argumento pra decidir antes que passasse o final de semana. Escolhi e reservei o Hostel de ultisimma hora, nao aconselho isso, estou hospedada bemmmm longe do centro, e fui correndo pra estacao. comecou dando tudo certo, a viagem foi super agradavel, a paisagem e linda, tem uma cidade balnearia que vai acompanhando todo um rio ate a divisa dos paises, vale a pena ir colada na janela.
Chegando fui direto conhecer a noite de Praga. Rodamos pelo centro pesquisando as opcoes. Em todas esquinas tinha um cara mal encarado de bracos cruzados esperando as pessoas passarem pra oferecer alguma coisa. Bizarro. E eles fayem uma super pressao pra vc entrar nos clubes, fomos ate uma igreja que virou clube, entramos pra provar o lugar, era uma igrja mesmo. Uma negona com sua banda de hap no "altar" levavam um pequeno publico a loucura. outros nao muitos interessados ficavam nos bancos da bebendo, conversando. O lugar mantinha um tapete macio que dava vontade de deitar ali, e os e toda a parafernalia que refere a Deus. Achei meio pecador ficar no local. Fomos pra outro lugar, uma boite que se auto nomeia o maior clube da europa central. Nao deve ser boa coisa. Nao era. Mas valeu muito a experiencia. As pessoas sao bregas aqui, mas la elas estavam mais ainda. Nao sei explicar direito o tipo de briguice. e uma coisa meio antiga mas que nao chega a ser retro. Parece que as roupas sao todas falsificadas, tipo querendo ser bom mas nao e. E as mulheres tem um jeitao de homem, ok elas podem ser consideradas lindonas, mas nao vou admitir isso, me sinto uma anâ aqui. As musicas... bem eu diria que parece com a baroneti, se eu ja tivesse ido la, mas nao sei bem comentar. tinham 15 pistas. Gostei da que tocava Oldies 60s, mas nao me animei de ficar la sozinha, alem de depre era muito nostalgico.
O que mais me encanta aqui sao os bonecos, a perfeicao que eles tem nessa manufatura. Quanto eles conseguem passar de vida para suas criacoes. E fantastico. E a ponte Carlos, Os Castelos, as Catedrias, sem palavras ne, quanto passava por eles pensava que estava ha seculos atras e abusei em inventar historias romanticas pra minha suposta vida de antigamente..... Ahhh e pra quem pensa em vir pra ca sugiro o albergue que estavam uns amigos o Czech Inn http://www.czech-inn.com/, eles pagaram o mesmo que eu paguei por tipo de hospital bem longe do centro. e o Czech Inn e lindo, todo clean, tem um design bacana, cheirosissimo, cheira morango. roupa de cama 400 fios... ok to exagerando e que fiquei com muita inveja deles.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ich verstehe nichts!

Hallo Hallo,
Hoje tomei a primeira cerveja depois que acabei o antibiotico, e isso me fez sentir bem melhor. Meus primeiros momentos em Berlin foram muito...calados. passei algumas horas sem coragem de dizer uma palavra ( prometi que a primeira frase aqui tinha que ser em alemao, por isso a demora). Notei varias coisas estranhas a principio, toda esquina tem uma obra (nao contrucao, melhoramentos ou restauracao) e muitos guindastes.
Muita natureza pra todo lado, parece que nao tem gente suficiente por aqui, isso e otimo! E o transito entao. Nem existe. So de bicicleta. Eu ja tinha ouvido que era assim, mas nao levei a serio ate que fui " atropelada", eles usam aquela buzininha, mas eu nem notei que estava caminhando pela ciclovia e devia estar devaneando, o cara bateu no meu cotovelo e gritou algo, muito algo, so sei que nao foi merda porque essa palavra e uma das 28 do meu vocabulario.
Ate 15 minutos atras nao tinha ouvido ou visto nenhum brasileiro, estava me achando muito especial. Sempre que descobrem que nao sou nativa (e preciso esforco) eu falo que sou do Brasil ouco algum samba conhecido e bem cantado (as vezes nem eu conheco).
Tive duas colegas de quarto que ja se foram, eram mexicanas, muito simpaticas, com elas troquei algumas experiencias sobre a cidade. Uma delas me disse que achou tudo meio desleixado, fiquei pensando..na verdade e assim mesmo, mas eu acho fantastico, pois mesmo velho, aparentemente feio, as coisas funcionam, e muito bem. Sao poucas as paredes que nao estao descascadas, pixadas e com intervencoes. Eu adoro, fico pensando no material que foi economizado ao nao reformar aquilo. E os parques, canteiros, sao especiais, porque nao sao bem aparados, plantados sistematicamente, a praga que nasce fica ali e faz parte da decoracao. As mexicanas tambem reclamaram disso.
Todo dia durante a tarde tenho aula, e isso me da muita dor de cabeca, estou gastando mais neuronios do que na epoca do vestibular. Quando entro na sala me sinto uma idiota, quando saio me sinto otima e agradeco por nao ser koreana ou japonesa, ninguem merece o sotaque deles, coitados.
Hoje como acabei o antibiotico fiz questao de comprar uma cerveja e vir andando pro albergue ( deve ser umas 2 horas de caminhada) na primeira cerveja ja fiquei zonza, muito zonza, e vi uma arvore de cereja no jardim de uma instituicao escolar. Nao resisti, tive que apanhar algumas. Tem muita arvore frutirera pelas ruas, posso ate ser presa por isso.
Na cidade tem muita crianca sozinha passeando pela rua, nos parques, em museos, e ferias claro, mas o que me encanta e que nao tem adulto por perto, e ate mesmo nas bicicletas eles voam pelas ciclovias, sozinhos!
Entäo, como estava dizendo, nao havia encontrado brasileiro, ate que estou atravessando uma ponte desviando do ciclista, tirando foto do rio e tomando cerveja ( tenho que aproveitar ne) e ouco: "Ele era ate bonitinho, mas que cara de bebe e jeito de gay! assim nao encaro! " Sem comentarios, era so pra constar.
Genug
So nao vou postar as fotos ainda porque o dono do cyber que estou e um turco e ele definitivamente nao fala ingles, nao to afim de fazer mimica.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Rosie and Me


Sou um clichê. Navegando por aí me deparei com uma foto de baleia. Oba! Pensei. Noah and the Whale! Não era. Mas de certo modo deu na mesma. Eu olho pra um desenho e penso: se isso tivesse um som me agradaria. Porque sou tão ridiculamente simples? E clichê? Que saco.

Meu professor me deixou com raiva essa semana. Era dia de prova e eu tinha que fazer um solfejo. Sozinha. Eu disse que não sabia. E que no máximo faria a leitura das notas. Ele me pergunta meu instrumento. Eu digo guitarra. Ele diz ok. E finaliza me dando nota 8 porque eu sou “do tipo” que gosta de rock ruim.

Tenho que admitir. Não sobre a parte do rock ruim (vou resistir um pouco sobre isso, porque ruim pra mim em música é tudo aquilo que eu não gosto, embora eu não mantenha essa opinião durante uma conversa com alguém que eu queira impressionar, nesse caso eu diria algo do tipo: Ah, com toda razão esse jazz é muito bom só não estou no “clima” agora.)E o que tenho que admitir é que eu sou bem “ do tipo...”
Voltando a baleia, Rosie and Me é a típica banda que me agrada e pelo fato de ter me agradado antes de eu ouvir eu fiquei meio puta. Por isso eu quero criar um novo departamento musical na minha cabeça. Abrir algum espaço para colocar as coisas que eu não gosto. E dar a elas a chance de ser digeridas. Pra que? Masoquismo talvez. Teimosia. Nesse espaço vou começar colocando Red Hot, Muse, The Smiths e The Cure. Ô!

Voltando a baleia de novo. Rosie and Me é de Curitiba. É gostosinha. Fácil de digerir. Adepta dos desenhinhos infantis que me agradam e datam essa turma folk fofa. Falando assim parece que estou falando mal da banda. Muito pelo contrário. Vale a pena: http://www.myspace.com/rosieandme

Esse texto ficou meio sem pé nem cabeça.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Minha avó


Minha avó tinha tinha uma penteadeira, com um banquinho que encaixava debaixo dela. E era coberto com veludo vermelho macio. Minha avó tinha um guarda-roupa enorme, que dava pra se esconder dentro. Ela trancava seus móveis com chaves e as chaves eram ótimas para prender os lençóis das minhas cabaninhas. E ela me deixava fazer bagunça. Minha avó já foi minha melhor amiga, eu cresci e ela começou a me parecer diferente. Mas nem sempre foi assim. Nós brincamos muito. Até que um dia no meio de uma brincadeira qualquer ela foi até a penteadeira e deu corta numa caixinha de música. Naquele instante eu soube que as coisas iam mudar, e que eu ia sentir falta daquele momento pra sempre. A música tocou suave até sumir no silêncio e eu passei todo esse silêncio, até hoje, esperando por essa saudade. Ela chegou. E o silêncio deve continuar.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Meu macacão listrado

A lembrança surgiu durante uma conversa onde eu dizia: vou me preparar para sua chegada...e coisas do tipo. Na hora me veio essa recordação que estava muito bem guardada no meu subconsciente ( ou algo que o valha), porque, eu de certa forma sentia certa vergonha desse episódio.

Devia ser por volta de 1989, nessa época eu havia descoberto hábitos caseiros, ficava em casa curtindo meu quarto, fazendo decorações, limpeza (!), escrevendo cartas, e assistindo TV Cultura, tudo isso no meu quarto, porque eu tinha acabado de ganhar uma TV. Eu nunca fui uma menina muuuuito feminina, mas tinha meus momentos. Um dia na escola convidei Joãozinho pra ir brincar comigo em minha casa. Joãozinho é nome fictício, era meu projeto de namoradinho, embora ele não soubesse de nada, e acho que nunca souve. Ele ia pra minha casa na manhã seguinte ao convite.
Nessa manhã eu acordei muito mais cedo que o normal, e notei que não sabia como me preparar para receber Joãozinho. A idéia era que ele gostasse de brincar no meu quarto tanto quanto eu gostava. Mas fiquei em dúvidas se isso iria acontecer. Na época a menina que trabalhava na minha casa era jovem e bastante extrovertida. Pedi conselhos a ela. Ela não pode deixar de rir da minha situação, mas do seu jeitão tentou me ajudar. A visão que ela tinha da situação era um pouco diferente da minha, a primeira coisa que ela disse. Troque de roupa. Eu vestia algo de sempre, shorts e camiseta, provavelmente alguma combinação de vermelho com verde, eu amava essas cores. Juntas! Ela me mandou usar uma saia e sandálias. Eu tentei aceitar a sugestão, mas quando olhei no espelho, com minha roupa de festa (saias só me serviam pra isso), me achei ridícula, e ela penteava meu cabelo elogiando o novo modelito. Eu não queria decepcioná-la, então fingi que estava gostando. E pedi ajuda na arrumação do quarto. Enquanto ela arrumava minha cama eu troquei os brinquedos que ficavam enfeitando a estante. Coloquei tudo que era mais masculino. Meus bichos de fazenda, meu skate do lado da cama, a família Flintstones que era meu brinquedo favorito, minha coleção de selo, de moedas, de cartões postais, de mapas. Eu adorava coleções. E pensando bem agora, naquela época eu me preocupava muito mais com minha reputação intelectual. A Cleide (não lembro o nome dela) minha ajudante, reprovou a decoração. Me disse que eu deveria colocar meus perfumes, acessórios, e porta retratos. Eu não tinha nada disso. Ela trouxe os que tinha para me emprestar, menos porta retratos é claro. A situação estava totalmente fora do meu controle, e eu não conseguia dizer não à Cleide. Ela tinha boas intenções e estava animada com a situação. Eu já estava com nó na garganta e louca de vontade de chorar.
Pra piorar, Joãozinho chegou. Lembro exatamente do que senti. Pânico! Cleide foi atender a porta e me tranquei no quarto. Estava desesperada. Joguei tudo no chão, tirei a roupa. Chorando de raiva, peguei minha roupa preferida, um macacão listrado de vermelho e branco que já estava na metade da canela, com uma camiseta de manga comprida amarela dos Flintstones, tudo isso com um par de chuteiras pretas de couro.

Joãozinho bateu na porta do meu quarto. Meus brinquedos estavam todos no chão, o quarto estava uma zona, mas eu me sentia bem melhor. Peguei meu skate, abri a porta, puxei Joãozinho pelo braço e fomos descer a ladeira da minha casa de skate. Nenhum momento brincamos no meu quarto.

Hoje eu tenho meu correspondente ao macacão, e uso sempre em ocasiões especiais, como hoje.

terça-feira, 23 de março de 2010

A EXPERIÊNCIA BIZARRA


Poucos anos atrás eu saí de casa num domingo de manhã pra comprar pão, eu nem precisava de pão, só queria me distrair. Eu estava muito triste, com aquelas tristezas que se arrastam, nada especial aconteceu naquele dia, eu só estava com tristeza “ acumulada” (tenho essa habilidade inata). Aí numa esquina em frente a padaria um carro estava manobrando e um taxi havia parado em frente , impossibilitando minha travessia imediata, lembro de olhar pra trás e ter vontade de chorar porque não podia atravessar, tipo: Mais essa!? Seria ridículo, mas foi exatamente o que eu fiz.
Nesse momento, da minha explosão de lágrimas, vinha uma senhora caminhando lentamente se apoiando no braço de sua acompanhante. Ela olhou fundo nos meus olhos, tão fundo que eu pude me ver nos seus olhos claros e vermelhados por fora. Ela tinha poucos cílios e o olhar umedecido. Ela deu um passo mais largo e segurou no meu braço, uma mão fina e bem gelada. Me encarou e disse: Não chore menina você vai estar no lugar dele um dia. Eu juro que não entendi. Tudo bem que até existia um ele nas razões do meu choro, sempre existe. Mas porque eu estaria no lugar dele um dia? E porque ela fez tanta questão de me dizer isso?
Eu tenho certa paixão e ódio pela velhice, vejo muita magia nas pessoas mais velhas, sempre acho que eles são magos, bruxas, adivinhos, ou até espíritos. Mas essa senhora, realmente, passou dos limites das minhas fantasias. Na verdade ela foi a concretização dos meus pensamentos, mas quem disse que eu entenderia isso?
Lembro que chorei mais e mais, e esqueci do pão. Entrei por uma rua tranqüila, sentei perto de uma árvore de flores laranjas desajeitadas que me lembram muito minha infância, e lá fiquei por quase uma hora, destruindo as vagens que essa árvore produz e soluçando.
Eu sou bem cruel comigo mesma, sentir culpa é de praxe pra mim, mas imaginar a troca de lugar com “ele” estava realmente difícil, acabei não me preocupando muito. Pois na cabeça trocar de lugar nessa situação, seria trocar de ... personalidade, acho. Que inocência a minha.
O pior está por vir. Essa semana eu estava caminhando perto da minha velha casa onde eu tive esse encontro com a senhorinha. E lá estava ela. De uma forma chocante nossos olhos se cruzaram novamente. Ela estava sendo empurrada numa cadeira de rodas, parecia muito mais magra porém barriguda. Como uma velha grávida. E ela acariciava a barriga como uma gestante. Cheguei mais perto e ouvi seu monólogo com a barriga: A Isaura é pra junho, não é? Chegará com o inverno. Estamos te esperando. Já está tudo pronto. Frases que eu como uma ex-gestante já usei com minha ex-barriga ( não exatamente essas). O jovem que a empurrava, agora era um homem, me disse baixinho quando me viu encarado indelicadamente. Ela acha que está grávida, mas é um tumor.
Meu Deus, eu achei que estava sonhando, me deu um nó e azedo na garganta, eu mal podia enxergar. Só acalmei quando tomei um novo susto. Enquanto eu estava passada pensando naquela situação, ela não me olhou, mas me disse. Esta no lugar dele agora?
Minha reação foi olhar pro enfermeiro ou seja lá o que ele for, pra ver se essa frase tinha alguma relação com a suposta gravidez, mas ele não me deu nenhuma explicação. Eu cheguei mais perto tentando provocar uma troca de olhares, mas nada aconteceu. Enfim “deixei” ela ir, mas continuei aterrorizada, como ela sabe que eu to no lugar dele agora?
Até agora eu estou tentando desvendar e aceitar tudo que essa senhora me disse ( foram poucas palavras mas com muito significado). E ela acha que está grávida. Caraca. Até que é uma forma melhor de se morrer. Esperando a vida, e não a morte.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Fashion Pics






No último Mercado Mistureba de 2009 na Brazooka, o pessoal do Fashion Pics clicou quem foi ao Mercado e fez compras. Tem até eu!!!
Olha que bacana! Quero um repeteco.
Fashion Pics> http://www.flickr.com/photos/picsfashion

sábado, 21 de novembro de 2009

Tereza, A banda


Em algum canto da Casa da Matriz:

- Oi, lembra de mim?
(cara de quem está forçando a memória)- Ahh claro.
- Legal. Você é de Brasília né?
- Quase, sou de Minas.
- Ahh é. Você pode conversar um pouco?
- (acho que já estamos, mas...) Aham.
- Então, é que eu tenho uma banda. E...
- (ai meu Deus, já vai estragar a conversa)
-... a gente fez uma música que eu queria te mostrar.
- O que sua banda toca?
- Pop Rock.
- Ahnn? ( ahh não,que merda, quem se aprenseta assim? melhor nem perguntar as influencias)
- É sério, a gente é bem pop. ( a gente quer é fazer sucesso - isso eu pensei que ele tava pensando e eu tinha um pouco de razão)
- Pop tipo o que?
- Tipo kings of Leon, Libertines.
- ( unnn e não é que ele tem uma boa visão do pop) Me conta mais da sua banda (e de vc ;)
- Então, a gente vai tocar na semana que vem, você quer ir?
- Aham, me convida que eu vou.

Uma semana depois, sexta a noite:

- Mensagens de texto-

- Oi e que hoje tem show da minha banda se vc quiser ir me manda uma msg.
- Oi, tudo bem? Onde é o show?
- Itaipu niterói
- Isso é perto de Buzios?

Telefone ( 5 ligações iguais pra 5 amigas diferentes):

- Amiga, vai fazer o que hoje?
- Não sei.
- Oba, vamos pra niterói? num show.
- O que?
- Tá maluca? Quem é esse Thais?
- Te conto no caminho.
- Me espera tomar banho?
- Ok.

Sexta noite, depois de 2h30 na ponte, arrependimento mortal, a gente chega no bar e eles já estão no palco.
- Unn, e não que é bom.
- Nossa, que bacana.
- Vamos chegar mais perto?
- Tá louca? tenho vergonha.
- Que isso, a gente não conhece ninguem aqui.
- Ok, vou só pegar uma cerveja.
....

Depois dessa cerveja muita coisa aconteceu, foi paixão a primeira vista. Pela Banda. A Tereza (com Z e sem H).

http://www.youtube.com/watch?v=g9XREh_GT5s

http://www.youtube.com/watch?v=F-TlEO2WK80

http://www.youtube.com/watch?v=lNuQwhoCbMI

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Desabafo

Sobre sentimentos. Estou frustrada. Comigo. Como em todas as áreas da minha vida, sempre tento “sentir” sem moldes, sem formas pré-estabelecidas. Isso costuma funcionar bem com quase tudo, exceto sentimentos. A maldita expectativa é uma desgraça, o papel dela na vida é causar decepção. Mais nada. Pra que esperar algo? De si e do outro? E do mundo? Esses 3 sempre me magoam, por minha culpa, porque teimo a esperar algo. E aí Puf. Quando não é daquele jeito, vem aquela água quente e sai pelos olhos. E o nó na garganta? Esse é o pior. E o pior é que não dá pra fugir dessas coisas todas. Você pode odiar novela, carnaval ou futebol (exemplos simples e populares, nada contra eles). Mas você não consegue deixar de sentir saudade, amor ou ódio. De onde vêm essas coisas? Em que órgão cada uma delas é processada? Tenho impressão de que os orientais (excetos esses coreanos marrentos que vivem por aqui), os tibetanos, por exemplo, parecem entender dessas coisas. Eles têm pinta de que estão além de todas as alterações internas. Digo isso pela cara deles. Pela capacidade de meditar horas seguidas. Acho que tenho grande propensão a viver longe da sociedade no futuro, as pessoas me matam. Cada uma a sua maneira. Ódio ou amor. Os dois matam. E eu não quero me deixar morrer. E eu já pensei o contrário, mas hoje eu prefiro sentir nem um nem outro. Claro que é uma escolha momentânea.

Avisei que era desabafo.