quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Profissão: Cortador-de-grama e Fazedor-de-grilo-planta

No caminho pro trabalho eu olhava pela janela do ônibus. O foco não era nada específico. Até que, uma formação triangular de símbolos da sociedade capitalista atual se alinhou no meu campo de vista durante um sinal fechado.
Foi assim.

No canteiro do aterro do Flamengo um jovem trabalhador dirigia um carrinho-corta-grama fazendo trajetos divertidos, formava desenhos no canteiro enquanto a grama ia ficando aparada. Bem ao lado, um semi-mendigo sentado num papelão, apreciava o movimento do corta-gramas sem piscar os olhos. Deixando em segundo plano seu trabalho de confecção de pequenos animais e miniaturas a partir de folhas de coqueiro. Fechando o triângulo, um pouco a frente do meu ônibus, tinha um outro ônibus estampado com a propaganda de uma instituição de cursos de MBAs. Na foto da propaganda tinha um jovem empreendedor recém-formado (e recém clareado os dentes) erguendo seu diploma de MBA todo orgulhoso. Na hora bateu um daqueles tocs: Eu tinha o tempo do sinal pra escolher qual daquelas 3 figuras eu escolho ser pro resto da minha vida. Fiquei nervosa, só consegui descartar rápido a opção do MBA. Mas os outros dois...Putz. Foi difícil. O sinal abriu e não consegui escolher. Depois segui pensando. Minha escolha seria um mix do trabalhador corta-grama com o semi-mendigo fazedor de grilos-plantas.

Eu passaria o dia dirigindo meu carrinho pelos canteiros de Burle Marx, sentindo aquele cheiro gostoso da grama cortada. No final do dia eu iria recolher algumas gramas boas pra usar nos meus mini-objetos e pequenas flores e cogumelos. Tô meio por fora do que nasce em jardins, mas o cheiro da grama é inesquecível.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Noah and the whale



Nada como descobrir novos prazeres. Ganhei o cd do “Noah and the Whale” de presente, naturalmente já iria gostar dele por ter vindo de uma pessoa especial, mas não imagina que seria uma surpresa tão boa. Ouvi uma vez e senti uma coisa que chamo de tensão da traquéia (que é uma mistura de frio na barriga com nó na garganta), é um sintoma de novidade boa que ainda não foi desvendada completamente, e tem muito ainda por vir.
Logo na primeira vez de audição, enrosquei na música “Jocasta” e fiquei lá por algumas horas, depois segui em frente e chorei com “Do what you do” e naquela hora decidi que é aquele instrumental que vai tocar no meu casamento (ando falando muito em casamento, que horror, mas é por uma razão específica, vou a um na semana que vem e os noivos são desse tipo de gente que parece alma-gêmea e isso me emociona um bocado). Ai caramba, tem um violino que dói.
O cd todo é lindo, tem surpresinhas em todas as faixas e as letras são legais, normalmente nem ligo pra isso (minha última paixão Tricot Machine, eu ouço sem ter a mínima idéia do que eles falam, e cantarolo pela rua como se fossem belas canções de amor). Eu tenho o costume de ouvir os cds tentando não saber qual o hit da banda, pra ter formar uma opinião sem influencia dessa informação. Se eu fosse chutar, diria que o hit é “5 years time”. Será? Vou pesquisar em breve. De qualquer forma meu hit já é “Jocasta”. “Second Lover” parece muito com outras coisas, coisas boas também, então tudo bem. Rocks and Daggers é do jeitinho que eu gosto, meio irlandesa meio bandinha de coreto.

Sorte a minha que não vivo disso. Uma “resenha” dessas não me renderia o dinheiro pra comprar um cdr e ficar 1hora na lanhouse baixando o próximo cd. Meu negócio é falar qual órgão do meu corpo foi tocado pela música, em que momento da minha vida ela se encaixa e quem sabe no futuro posso propor uns novos arranjos, ando meio enjoada de remixes.

Ahh ! E “Noah and the Whale” vem de Noah Baumback, director de “The Squid and the Whale”. Legal isso hein! Se minha banda nascesse essa semana iria chamar .... Michel and his spotless mind.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O casamento dos meus sonhos



Todos esperavam um dia ensolarado, a programação dependia das atividades de lazer que só faziam sentido se fizesse muito sol. Nada muito cansativo era apropriado, a noite prometia ser longa.
Levantei da cama, porque acordada eu já estava desde que desliguei o telefone por volta de meia noite. Chovia horrores naquela fazenda. Relâmpagos normalmente me apavoram, mas eu sentia tanta raiva, tanta vontade de vomitar por todo ódio dele e de mim, por deixar doer, que nenhum trovão ou relâmpagos me causava pânico. Era uma viagem descontraída e ele não tinha nada de importante para fazer nesse final de semana. Não custava nada ele me acompanhar, afinal era uma festa de casamento e não um funeral. Tudo 0800 e nem a gasolina precisava dividir comigo. O que me dá mais raiva é ele ter certeza que estava coberto de razão. Argh! Só posso concluir que minha companhia não faz diferença. Mas já havia chorado tudo que tinha pra chorar e gastado uma nota de celular. Eu que liguei e ainda pago a porra do deslocamento. Minha idéia era dar uma corrida pela redondeza, explorar novos territórios, e quem sabe participar de alguma competição esportiva. Sempre tem dessas coisas em hotéis fazenda. Mas chovia desgraçadamente.
Minha amiga mais querida da época da faculdade ia casar em menos de 12 horas, eu deveria estar feliz por ela, mas não era exatamente o que sentia, só pensava que se ela não fosse casar hoje, eu iria agora mesmo acordá-la para contar a canalhice que o meu EX-namorado havia feito comigo (eu estava decidida a terminar, embora ele ainda não soubesse disso). Ahhh, mas era o dia da noiva, por mais egoísta que eu seja não posso envolvê-la nessa história, não hoje.
Penso, penso, e nenhuma das outras meninas da faculdade servem pra ocasião. A maioria delas é muito religiosa pra ouvir alguns palavrões que seriam inevitáveis. Outras são ridiculamente compreensivas com homens cretinos. O idiota não precisava de aliadas.
Era quase onze horas da manhã, em breve, chegaria um pessoal que eu gostava um pouquinho mais. Não sei ao certo quem coube no carro e quem ficou de fora, só torço pra que um, apenas um, tenha vindo. Me identifiquei com poucas pessoas durante a faculdade, mas um deles era especial. A última vez que havia o visto foi na formatura de uma turma anterior a nossa, depois disso abandonei o curso e só tive algumas notícias. Soube que ele casou, mas ou menos na mesma época que eu, e soube que separou, mais ou menos na mesma época que eu.
Parei na varanda do chalé onde eu estava hospedada, eram vários chalés idênticos, e do meu dava pra ver o espaço onde aconteceria a festa. Havia uma tenda onde trabalhavam muitas pessoas enfeitando rusticamente o cenário. No canto da tenda a banda montava seus instrumentos, eu fiquei ali sentada no parapeito da janela. A cena pedia um cigarro. Eu não fumava há 5 anos. Mas ela pedia tanto que não resisti. Peguei um Lucky Strike na mesa de cabeceira da minha “colega de chalé”. Eu mal a conhecia. Acendi e me esforcei pra dar o primeiro trago, o importante era sentir ele aceso entre os dedos, e me poluir o mínimo possível.
A banda começou a tornar-se interessante, um dos meninos havia estudado com a gente.Na época ele tocava hardcore, eu achava o máximo. Mas nesse dia ele parecia muito mais interessante. Ele aparentava ser o líder da banda. E enquanto os outros afinavam os instrumentos ele fazia a decoração do cenário. Ele usava uma roupa estilo peter pan e amarrava penduricalhos feitos com flores de plásticos e pequenos bibelôs numa corda que vinha do teto da tenda e assim parecia que chovia flores e brinquedos sob eles. E enquanto os músicos passavam a primeira música ele continuou pendurando os enfeites, mas agora fazia tudo no ritmo da música. Ahhh! E a música! Era demais! Tudo o que eu menos esperava ouvir ali. Minha amiga sempre teve bom gosto musical. Mas eu não esperava algo tão bom. Dois caras que até então estavam sentados, colocaram chapéu de fanfarra, fardas de veludo verde e detalhes dourados, e começaram a tocar um instrumento de sopro que eu acho que é trompete (não entendo bem disso). E todos pareciam estar de pijama por baixo das fantasias. O som era incrivelmente suave e lúdico. Ninguém cantava, eles só sorriam muito.
Meu cigarro acabou e peguei outro. Não queria ficar ali com cara de quem não tinha nada melhor pra fazer, mas eu definitivamente não tinha e não iria sair dali. Nenhum lugar do mundo poderia me agradar tanto naquele momento. Eu comecei a sentir raiva de todas as pessoas que eu gosto e que não estavam ali comigo, sempre sinto isso. Quando quero dividir algo com alguém e esse alguém não está, sinto ódio (especialmente quando ele não quis estar e nem preciso falar de quem eu mais sentia ódio).
Esse dia foi o mais heterogêneo da minha vida até hoje. Não dormi a noite toda, senti ódio mortal de uma pessoa que eu amava, e depois foi transportada pra um outro mundo. E a festa nem havia começado. Eu gostaria de contar tudo até o fim hoje, mas não teria tempo suficiente e deixaria detalhes de lado. Foi um dia de experiências deliciosas e intensas, tudo me tocava, ora com dor, ora com alegria ora com prazer. Sempre lembro desse dia antes de dormir, mas nunca consegui revivê-lo. Por isso quis escrever, pra lembrar e sentir um pouquinho dele.

domingo, 30 de agosto de 2009

Burgueses e Bohemios

Com esse nome no blog, quem vos escreve, deveria honrar o título. Hoje caiu a ficha de como estou me distanciando cada vez mais da burguesia e da bohemia. Não que minha meta fosse ser os dois. Mas já não sei onde eu estava com a cabeça quando pensei nesse nome pro blog, acho que eu queria parecer cool, só pode. Hoje em dia durmo no máximo as 20:30 durante a semana e 23:00 aos sábados. Burguesa? Nunca estive mais pobre e mais consciente em relação ao consumismo (consequência da pobreza? talvez). Será esse meu novo estilo neo-cool? Ou é a proximidade dos 30 anos?
Essa dúvida me fez lembrar uns pensamentos que eu tinha por volta dos 16 anos. Minha meta era ser trash, parecer muito rock n roll. Mas eu não tinha muita referência lá em Jacutinga, mal conhecia os ícones do rock, então eu me baseava em figuras como a Courtney Love e ficava pensando como era a vida dela no dia-a-dia. O que ele comia, quanto ela dormia, que horas ela acordava,se ela tomava sol, eu queria realmente ter uma vida de rock star doidona. E por aí eu ia inaugurando hábitos na minha rotina. Hábitos que não eram muito compatíveis com a minha personalidade, por exemplo, eu tinha que fumar. Mas eu sempre fui mega hipocondríaca, durante os 4 anos que fumei, só pensava no estado do meu pulmão, tomava cápsulas de alho de manhã e a noite, e ficava lendo artigos que comprovavam que 5 anos sem fumar o pulmão fica zero km. Bom, eu tinha tempo pra recuperar...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sonhos



Desde que eu aprendi a descobrir quando estou sonhando, venho tentando desenvolver outras duas capacidades, três na verdade. Uma delas é me deixar morrer já que é apenas um sonho, outra é acordar e voltar a dormir continuando um sonho de onde parei, essa já sou expert e nesses casos consigo conduzir os sonhos conforme meu interesse. Há quem pense que é lorota, que na verdade eu estou sonhando acordada, enfim, é tão bom quanto. O terceiro desafio, e maior de todos é conseguir mandar recados em sonhos. Por exemplo, eu te encontro num sonho te conto um segredo e você tem conhecimento disso na realidade. Demais hein! Tão legal que não é uma idéia minha, obvio faz parte do consciente coletivo. E no filme The Science of Sleep do Michel Gondry isso é deliciosamente vivido pelos personagens de Gael García Bernal e Charlotte Gainsbourg (Stéphane e Stéphanie), ou só acontece na cabeça do sonhador Stéphane. Uma delícia o filme, só fiquei um pouco assustada com a quantidade de coisas em comum entre mim e o personagem de Gael. Desde as brincadeiras com os sonhos e a “invenção” da Desastrologia até o porre que ele leva no bar quando vê sua amada dançando com outro. E claro, nossa estatura, embora eu seja um pouco mais alta que ele.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

E se eu tiver vontade de chorar amanhã?

Um dos meus 138 medos de crianças era ficar velha e não poder mais brincar. Eu acreditava que eu ia ter vontade de jogar queimada (o), futebol, salto em distancia etc, pro resto da vida!! Ficava arrasada quando me imaginava velhinha tomando sol da manhã e assistindo as crianças brincar morrendo de vontade de brincar também. Cresci um pouco mais, perdi (um pouco) a vontade de brincar e comecei a ter medo de ficar velha e não conseguir ir aos shows que eu gosto hoje, virar a noite acordada e coisas do tipo.
Vivo sempre sofrendo pelo que vou sofrer, acho que só agora percebi que os interesses mudam, e isso é natural, não tem sofrimento nessa mudança !!! É um pouco retardado descobrir isso hoje? Deve ser, mas ta valendo a pena. Aprendi que muitos dos sofrimentos que adiantei, nunca vieram, se perderam com o tempo, com as mudanças de interesse, e eu, muito idiota sofri antes por algo que eu nunca iria sentir.
Então não vou chorar hoje o que eu posso chorar amanhã. Só choro hoje se eu torcer o pé e não puder jogar futebol, se acabar os ingressos pro show da minha banda preferida ou se um perder alguém que eu amo (enquanto eu ainda o ame).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Planilhas, planilhas e planilhas



Uma das minhas milhares de manias é fazer planilhas. De gastos, de atividades, de itens a comprar, de filmes pra ver. Enfim, adoro vizualizar minha vida em quadrinhos.
Um dia, em meio a certo desequilibrio emocional, criei o protótipo da Planilha da Purificação, que também pode ser chamada e Planilha do equilibrio, ou como você preferir.

Ela tem toda uma metodologia:

Como computar os pontos:
Esporte, leitura, filme, lazer = ganha-se 1 ponto quando realizar 1 ou mais atividade de cada
Cuidado= ganha-se 1 ponto para cuidados pessoais ou consertos de pertences, médico, etc.
Conquista= ganha-se 1 com qualquer conquista obtida a partir de algum esforço
Alcool= beber socialmente= -1, enfiar o pé na jaca=-2
Trash food= pode ser -1 ou -2, é uma questão avaliação pessoal
Zumbi= dormir menos de 3 horas= -2/ dormir menos de 6 horas = -1
Cigarro= não fumar não ganha ponto, apenas fumar que perde -1 (qq cigarro)
Alimentação= só ganha 1 ponto quando for perfeita, equilibrada e nada de alimento "poluente"

Já tem vários seguidores maníacos como eu, ou que sofreram certa pressão. rs