quinta-feira, 6 de maio de 2010

Rosie and Me


Sou um clichê. Navegando por aí me deparei com uma foto de baleia. Oba! Pensei. Noah and the Whale! Não era. Mas de certo modo deu na mesma. Eu olho pra um desenho e penso: se isso tivesse um som me agradaria. Porque sou tão ridiculamente simples? E clichê? Que saco.

Meu professor me deixou com raiva essa semana. Era dia de prova e eu tinha que fazer um solfejo. Sozinha. Eu disse que não sabia. E que no máximo faria a leitura das notas. Ele me pergunta meu instrumento. Eu digo guitarra. Ele diz ok. E finaliza me dando nota 8 porque eu sou “do tipo” que gosta de rock ruim.

Tenho que admitir. Não sobre a parte do rock ruim (vou resistir um pouco sobre isso, porque ruim pra mim em música é tudo aquilo que eu não gosto, embora eu não mantenha essa opinião durante uma conversa com alguém que eu queira impressionar, nesse caso eu diria algo do tipo: Ah, com toda razão esse jazz é muito bom só não estou no “clima” agora.)E o que tenho que admitir é que eu sou bem “ do tipo...”
Voltando a baleia, Rosie and Me é a típica banda que me agrada e pelo fato de ter me agradado antes de eu ouvir eu fiquei meio puta. Por isso eu quero criar um novo departamento musical na minha cabeça. Abrir algum espaço para colocar as coisas que eu não gosto. E dar a elas a chance de ser digeridas. Pra que? Masoquismo talvez. Teimosia. Nesse espaço vou começar colocando Red Hot, Muse, The Smiths e The Cure. Ô!

Voltando a baleia de novo. Rosie and Me é de Curitiba. É gostosinha. Fácil de digerir. Adepta dos desenhinhos infantis que me agradam e datam essa turma folk fofa. Falando assim parece que estou falando mal da banda. Muito pelo contrário. Vale a pena: http://www.myspace.com/rosieandme

Esse texto ficou meio sem pé nem cabeça.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Minha avó


Minha avó tinha tinha uma penteadeira, com um banquinho que encaixava debaixo dela. E era coberto com veludo vermelho macio. Minha avó tinha um guarda-roupa enorme, que dava pra se esconder dentro. Ela trancava seus móveis com chaves e as chaves eram ótimas para prender os lençóis das minhas cabaninhas. E ela me deixava fazer bagunça. Minha avó já foi minha melhor amiga, eu cresci e ela começou a me parecer diferente. Mas nem sempre foi assim. Nós brincamos muito. Até que um dia no meio de uma brincadeira qualquer ela foi até a penteadeira e deu corta numa caixinha de música. Naquele instante eu soube que as coisas iam mudar, e que eu ia sentir falta daquele momento pra sempre. A música tocou suave até sumir no silêncio e eu passei todo esse silêncio, até hoje, esperando por essa saudade. Ela chegou. E o silêncio deve continuar.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Meu macacão listrado

A lembrança surgiu durante uma conversa onde eu dizia: vou me preparar para sua chegada...e coisas do tipo. Na hora me veio essa recordação que estava muito bem guardada no meu subconsciente ( ou algo que o valha), porque, eu de certa forma sentia certa vergonha desse episódio.

Devia ser por volta de 1989, nessa época eu havia descoberto hábitos caseiros, ficava em casa curtindo meu quarto, fazendo decorações, limpeza (!), escrevendo cartas, e assistindo TV Cultura, tudo isso no meu quarto, porque eu tinha acabado de ganhar uma TV. Eu nunca fui uma menina muuuuito feminina, mas tinha meus momentos. Um dia na escola convidei Joãozinho pra ir brincar comigo em minha casa. Joãozinho é nome fictício, era meu projeto de namoradinho, embora ele não soubesse de nada, e acho que nunca souve. Ele ia pra minha casa na manhã seguinte ao convite.
Nessa manhã eu acordei muito mais cedo que o normal, e notei que não sabia como me preparar para receber Joãozinho. A idéia era que ele gostasse de brincar no meu quarto tanto quanto eu gostava. Mas fiquei em dúvidas se isso iria acontecer. Na época a menina que trabalhava na minha casa era jovem e bastante extrovertida. Pedi conselhos a ela. Ela não pode deixar de rir da minha situação, mas do seu jeitão tentou me ajudar. A visão que ela tinha da situação era um pouco diferente da minha, a primeira coisa que ela disse. Troque de roupa. Eu vestia algo de sempre, shorts e camiseta, provavelmente alguma combinação de vermelho com verde, eu amava essas cores. Juntas! Ela me mandou usar uma saia e sandálias. Eu tentei aceitar a sugestão, mas quando olhei no espelho, com minha roupa de festa (saias só me serviam pra isso), me achei ridícula, e ela penteava meu cabelo elogiando o novo modelito. Eu não queria decepcioná-la, então fingi que estava gostando. E pedi ajuda na arrumação do quarto. Enquanto ela arrumava minha cama eu troquei os brinquedos que ficavam enfeitando a estante. Coloquei tudo que era mais masculino. Meus bichos de fazenda, meu skate do lado da cama, a família Flintstones que era meu brinquedo favorito, minha coleção de selo, de moedas, de cartões postais, de mapas. Eu adorava coleções. E pensando bem agora, naquela época eu me preocupava muito mais com minha reputação intelectual. A Cleide (não lembro o nome dela) minha ajudante, reprovou a decoração. Me disse que eu deveria colocar meus perfumes, acessórios, e porta retratos. Eu não tinha nada disso. Ela trouxe os que tinha para me emprestar, menos porta retratos é claro. A situação estava totalmente fora do meu controle, e eu não conseguia dizer não à Cleide. Ela tinha boas intenções e estava animada com a situação. Eu já estava com nó na garganta e louca de vontade de chorar.
Pra piorar, Joãozinho chegou. Lembro exatamente do que senti. Pânico! Cleide foi atender a porta e me tranquei no quarto. Estava desesperada. Joguei tudo no chão, tirei a roupa. Chorando de raiva, peguei minha roupa preferida, um macacão listrado de vermelho e branco que já estava na metade da canela, com uma camiseta de manga comprida amarela dos Flintstones, tudo isso com um par de chuteiras pretas de couro.

Joãozinho bateu na porta do meu quarto. Meus brinquedos estavam todos no chão, o quarto estava uma zona, mas eu me sentia bem melhor. Peguei meu skate, abri a porta, puxei Joãozinho pelo braço e fomos descer a ladeira da minha casa de skate. Nenhum momento brincamos no meu quarto.

Hoje eu tenho meu correspondente ao macacão, e uso sempre em ocasiões especiais, como hoje.

terça-feira, 23 de março de 2010

A EXPERIÊNCIA BIZARRA


Poucos anos atrás eu saí de casa num domingo de manhã pra comprar pão, eu nem precisava de pão, só queria me distrair. Eu estava muito triste, com aquelas tristezas que se arrastam, nada especial aconteceu naquele dia, eu só estava com tristeza “ acumulada” (tenho essa habilidade inata). Aí numa esquina em frente a padaria um carro estava manobrando e um taxi havia parado em frente , impossibilitando minha travessia imediata, lembro de olhar pra trás e ter vontade de chorar porque não podia atravessar, tipo: Mais essa!? Seria ridículo, mas foi exatamente o que eu fiz.
Nesse momento, da minha explosão de lágrimas, vinha uma senhora caminhando lentamente se apoiando no braço de sua acompanhante. Ela olhou fundo nos meus olhos, tão fundo que eu pude me ver nos seus olhos claros e vermelhados por fora. Ela tinha poucos cílios e o olhar umedecido. Ela deu um passo mais largo e segurou no meu braço, uma mão fina e bem gelada. Me encarou e disse: Não chore menina você vai estar no lugar dele um dia. Eu juro que não entendi. Tudo bem que até existia um ele nas razões do meu choro, sempre existe. Mas porque eu estaria no lugar dele um dia? E porque ela fez tanta questão de me dizer isso?
Eu tenho certa paixão e ódio pela velhice, vejo muita magia nas pessoas mais velhas, sempre acho que eles são magos, bruxas, adivinhos, ou até espíritos. Mas essa senhora, realmente, passou dos limites das minhas fantasias. Na verdade ela foi a concretização dos meus pensamentos, mas quem disse que eu entenderia isso?
Lembro que chorei mais e mais, e esqueci do pão. Entrei por uma rua tranqüila, sentei perto de uma árvore de flores laranjas desajeitadas que me lembram muito minha infância, e lá fiquei por quase uma hora, destruindo as vagens que essa árvore produz e soluçando.
Eu sou bem cruel comigo mesma, sentir culpa é de praxe pra mim, mas imaginar a troca de lugar com “ele” estava realmente difícil, acabei não me preocupando muito. Pois na cabeça trocar de lugar nessa situação, seria trocar de ... personalidade, acho. Que inocência a minha.
O pior está por vir. Essa semana eu estava caminhando perto da minha velha casa onde eu tive esse encontro com a senhorinha. E lá estava ela. De uma forma chocante nossos olhos se cruzaram novamente. Ela estava sendo empurrada numa cadeira de rodas, parecia muito mais magra porém barriguda. Como uma velha grávida. E ela acariciava a barriga como uma gestante. Cheguei mais perto e ouvi seu monólogo com a barriga: A Isaura é pra junho, não é? Chegará com o inverno. Estamos te esperando. Já está tudo pronto. Frases que eu como uma ex-gestante já usei com minha ex-barriga ( não exatamente essas). O jovem que a empurrava, agora era um homem, me disse baixinho quando me viu encarado indelicadamente. Ela acha que está grávida, mas é um tumor.
Meu Deus, eu achei que estava sonhando, me deu um nó e azedo na garganta, eu mal podia enxergar. Só acalmei quando tomei um novo susto. Enquanto eu estava passada pensando naquela situação, ela não me olhou, mas me disse. Esta no lugar dele agora?
Minha reação foi olhar pro enfermeiro ou seja lá o que ele for, pra ver se essa frase tinha alguma relação com a suposta gravidez, mas ele não me deu nenhuma explicação. Eu cheguei mais perto tentando provocar uma troca de olhares, mas nada aconteceu. Enfim “deixei” ela ir, mas continuei aterrorizada, como ela sabe que eu to no lugar dele agora?
Até agora eu estou tentando desvendar e aceitar tudo que essa senhora me disse ( foram poucas palavras mas com muito significado). E ela acha que está grávida. Caraca. Até que é uma forma melhor de se morrer. Esperando a vida, e não a morte.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Fashion Pics






No último Mercado Mistureba de 2009 na Brazooka, o pessoal do Fashion Pics clicou quem foi ao Mercado e fez compras. Tem até eu!!!
Olha que bacana! Quero um repeteco.
Fashion Pics> http://www.flickr.com/photos/picsfashion

sábado, 21 de novembro de 2009

Tereza, A banda


Em algum canto da Casa da Matriz:

- Oi, lembra de mim?
(cara de quem está forçando a memória)- Ahh claro.
- Legal. Você é de Brasília né?
- Quase, sou de Minas.
- Ahh é. Você pode conversar um pouco?
- (acho que já estamos, mas...) Aham.
- Então, é que eu tenho uma banda. E...
- (ai meu Deus, já vai estragar a conversa)
-... a gente fez uma música que eu queria te mostrar.
- O que sua banda toca?
- Pop Rock.
- Ahnn? ( ahh não,que merda, quem se aprenseta assim? melhor nem perguntar as influencias)
- É sério, a gente é bem pop. ( a gente quer é fazer sucesso - isso eu pensei que ele tava pensando e eu tinha um pouco de razão)
- Pop tipo o que?
- Tipo kings of Leon, Libertines.
- ( unnn e não é que ele tem uma boa visão do pop) Me conta mais da sua banda (e de vc ;)
- Então, a gente vai tocar na semana que vem, você quer ir?
- Aham, me convida que eu vou.

Uma semana depois, sexta a noite:

- Mensagens de texto-

- Oi e que hoje tem show da minha banda se vc quiser ir me manda uma msg.
- Oi, tudo bem? Onde é o show?
- Itaipu niterói
- Isso é perto de Buzios?

Telefone ( 5 ligações iguais pra 5 amigas diferentes):

- Amiga, vai fazer o que hoje?
- Não sei.
- Oba, vamos pra niterói? num show.
- O que?
- Tá maluca? Quem é esse Thais?
- Te conto no caminho.
- Me espera tomar banho?
- Ok.

Sexta noite, depois de 2h30 na ponte, arrependimento mortal, a gente chega no bar e eles já estão no palco.
- Unn, e não que é bom.
- Nossa, que bacana.
- Vamos chegar mais perto?
- Tá louca? tenho vergonha.
- Que isso, a gente não conhece ninguem aqui.
- Ok, vou só pegar uma cerveja.
....

Depois dessa cerveja muita coisa aconteceu, foi paixão a primeira vista. Pela Banda. A Tereza (com Z e sem H).

http://www.youtube.com/watch?v=g9XREh_GT5s

http://www.youtube.com/watch?v=F-TlEO2WK80

http://www.youtube.com/watch?v=lNuQwhoCbMI

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Desabafo

Sobre sentimentos. Estou frustrada. Comigo. Como em todas as áreas da minha vida, sempre tento “sentir” sem moldes, sem formas pré-estabelecidas. Isso costuma funcionar bem com quase tudo, exceto sentimentos. A maldita expectativa é uma desgraça, o papel dela na vida é causar decepção. Mais nada. Pra que esperar algo? De si e do outro? E do mundo? Esses 3 sempre me magoam, por minha culpa, porque teimo a esperar algo. E aí Puf. Quando não é daquele jeito, vem aquela água quente e sai pelos olhos. E o nó na garganta? Esse é o pior. E o pior é que não dá pra fugir dessas coisas todas. Você pode odiar novela, carnaval ou futebol (exemplos simples e populares, nada contra eles). Mas você não consegue deixar de sentir saudade, amor ou ódio. De onde vêm essas coisas? Em que órgão cada uma delas é processada? Tenho impressão de que os orientais (excetos esses coreanos marrentos que vivem por aqui), os tibetanos, por exemplo, parecem entender dessas coisas. Eles têm pinta de que estão além de todas as alterações internas. Digo isso pela cara deles. Pela capacidade de meditar horas seguidas. Acho que tenho grande propensão a viver longe da sociedade no futuro, as pessoas me matam. Cada uma a sua maneira. Ódio ou amor. Os dois matam. E eu não quero me deixar morrer. E eu já pensei o contrário, mas hoje eu prefiro sentir nem um nem outro. Claro que é uma escolha momentânea.

Avisei que era desabafo.